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Nauan Sacramento
Publicado em 25 de março de 2026 às 05:30
A escalada das tensões no Oriente Médio acendeu o alerta para o setor de combustíveis na Bahia. Embora o risco de desabastecimento total seja considerado distante, a combinação entre a dependência de refino e a instabilidade nas rotas marítimas já provoca reajustes nas bombas e ameaça elevar a inflação de alimentos no estado. >
Diferente do Rio Grande do Sul, onde quase 30% dos municípios já relatam dificuldades com o óleo diesel devido à demanda agropecuária, de acordo com a Federação das Associações de Municípios do Rio Grande do Sul (Famurs), a Bahia possui uma dinâmica própria ligada à Refinaria de Mataripe, administrada pela empresa Acelen. No entanto, o economista e educador financeiro Francisco Rodrigues adverte que o cenário de guerra gera incertezas sobre prejuízos no abastecimento.>
"O Estreito de Ormuz é um gargalo estratégico sob domínio do Irã", explica Rodrigues. Segundo o especialista, se o abastecimento via distribuidoras for prejudicado, os postos baianos terão que recorrer a estoques de estados como Minas Gerais, Ceará e Pernambuco, o que encarece o produto final. "Pode haver faltas pontuais por períodos de um turno (manhã ou tarde), mas o produto deve continuar chegando por rotas alternativas", pontua.>
O impacto da alta da gasolina e do diesel não se restringe aos postos. Existe uma conexão direta entre o custo da energia e o preço dos alimentos no mercado. De acordo com Instituto Brasileiro de Geografia e Estatistica (IBGE), desde 2020, o grupo dos transportes representa cerca de 20,8% do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), índice oficial da inflação no país.>
"Gasolina e petróleo são energia. Quando o custo sobe, o reflexo é imediato no frete e na produção agrícola", afirma Rodrigues. A previsão é que o consumidor soteropolitano sinta o aumento refletido no preço do arroz, feijão, carnes e até em serviços essenciais como saúde e medicamentos nos próximos meses.>
Apesar de o Brasil ser um bom produtor de petróleo, a falta de autossuficiência no refino torna estados como a Bahia vulneráveis às oscilações do dólar. A Refinaria de Mataripe, responsável por grande parte da oferta no Nordeste, ajusta seus preços conforme o mercado internacional, o que explica a volatilidade recente.>
Em situações de crise extrema, o Ministério de Minas e Energia pode intervir na gestão de estoques das empresas para garantir o papel social do abastecimento. Por ora, a recomendação para o cidadão baiano é cautela. "O brasileiro está fazendo malabarismos, trocando o débito pelo crédito para manter a rotina. A orientação é economizar e evitar decisões financeiras por impulso, pois a redução dos preços não deve ocorrer no curto prazo", conclui o economista.>