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Jovem conta como sobreviveu 5 dias perdido em trilha após ser deixado para trás

Ele caminhou cerca de 20 km sozinho até achar socorro e achou que não seria mais encontrado

  • Foto do(a) author(a) Carol Neves
  • Carol Neves

Publicado em 6 de janeiro de 2026 às 10:08

Roberto Farias Tomaz
Roberto Farias Tomaz Crédito: Reprodução

Depois de cinco dias desaparecido em uma das trilhas mais exigentes do Paraná, o jovem Roberto Farias Tomaz, de 19 anos, foi encontrado com vida e relatou momentos de desespero, fé e resistência física enquanto tentava sobreviver sozinho na mata fechada da Serra do Mar. Ele estava desaparecido após ser deixado para trás na trilha do Pico Paraná.

Roberto foi localizado nesta segunda-feira (5), após caminhar aproximadamente 20 quilômetros até uma fazenda na localidade de Cacatu, em Antonina, no litoral do estado. No local, ele pediu um celular emprestado, ligou para a irmã e avisou que estava vivo. O resgate foi concluído pelo Corpo de Bombeiros, que o levou ao hospital de Antonina para atendimento médico.

Segundo os profissionais de saúde, o jovem chegou lúcido, consciente, comunicativo, sem ferimentos graves, mas com escoriações e sinais de desidratação. Ele passou por exames e procedimentos de reidratação e segue internado em recuperação.

Thayane Smith e Roberto Farias Thomaz faziam trilha juntos por Reprodução

“Achei que era o fim”

Em entrevista exclusiva à RPC, afiliada da TV Globo no Paraná, concedida enquanto ainda estava hospitalizado, Roberto contou que, em alguns momentos, acreditou que não sobreviveria.

"Eu pensei que era o fim, que eu já tinha talvez morrido. Alucinei em um momento assim. Mas eu pedi forças para Deus. Pedi forças para minha mãe, pensei em toda a minha família. Eu falei: 'Pô, eu quero chegar em casa bem e saudável. Só peço por proteção para isso'", relembrou.

Durante os dias em que permaneceu perdido, Roberto disse ter percebido que as buscas estavam em andamento ao ouvir o barulho de um helicóptero no primeiro dia. Com o passar do tempo e a ausência de novos sinais, veio o medo de ter sido abandonado.

"No terceiro dia eu falei: 'Pô, eles podem ter cancelado as buscas, mas Deus está comigo e eu vou seguir esse destino aqui, esse caminho que ele me deu, caminho das pedras'", afirmou.

Operação mobilizou bombeiros e voluntários

As buscas envolveram uma grande operação de resgate. Mais de 100 bombeiros e cerca de 300 voluntários participaram dos trabalhos, que utilizaram drones, câmeras térmicas, técnicas de rapel e varreduras terrestres em uma área de mata densa e de difícil acesso.

O Pico Paraná, ponto mais alto da Região Sul do Brasil, é conhecido por trilhas longas, trechos técnicos, exposição ao sol, desníveis acentuados e histórico de resgates, fatores destacados inclusive em infográficos oficiais sobre o parque.

Um dos bombeiros que atuou na ocorrência afirmou que o jovem percorreu uma longa distância até conseguir ajuda, o que foi fundamental para o desfecho positivo.

Como o desaparecimento aconteceu

De acordo com a Polícia Civil do Paraná (PC-PR), Roberto iniciou a trilha no dia 31 de dezembro acompanhado de uma amiga. Durante a subida, ele teria passado mal. Após um período de descanso e encontro com outros dois grupos no cume, a descida começou por volta das 6h30 do dia seguinte.

Em um ponto anterior ao acampamento base, Roberto acabou se separando do grupo e ficou para trás. Pouco depois, outro grupo desceu pelo mesmo trecho, mas não o encontrou.

O analista jurídico Fabio Sieg Martins, que fazia parte de um dos grupos que cruzaram com Roberto e a amiga, contou que acionou os bombeiros ao perceber o desaparecimento.

"Quando a gente chegou no acampamento A1, venceu o 'grampos' e tudo mais, tava a menina na barraca. Aí eu pergunto para ela: 'Cadê o Roberto?' e ela não sabia do Roberto. Aí bateu o desespero, eu falei 'o guri deve ter se desorientado lá no [acampamento] A2, tá perdido lá em cima. [...] Aí nós voltamos. No primeiro ponto que dá sinal de celular, eu faço uma ligação para o Corpo de Bombeiros e situo o bombeiro da posição e das referências que nós tínhamos ali", relatou.

A família registrou um Boletim de Ocorrência no sábado (3), e a Polícia Civil passou a investigar o caso. O delegado Glaison Lima Rodrigues ouviu a jovem que acompanhava Roberto, outros montanhistas e familiares. Segundo a polícia, não houve indícios de crime, e o caso foi tratado como desaparecimento.