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Henrique Moraes
Agência Correio
Publicado em 12 de março de 2026 às 12:37
O dia 12 de março integra a programação da Semana Nacional do Animal, iniciativa do Ministério do Meio Ambiente voltada à construção de uma agenda estratégica para a proteção da fauna entre 2026 e 2030. Apesar das discussões e ações voltadas à causa, os dados mais recentes mostram que a realidade da fauna brasileira ainda é alarmante.>
De acordo com o Relatório sobre o Tráfico de Animais Silvestres na Amazônia Brasileira, produzido pela Rede Nacional de Combate ao Tráfico de Animais Silvestres (Renctas), apenas um em cada dez animais capturados na natureza consegue sobreviver até chegar ao consumidor final. A maioria morre durante as etapas de captura, transporte e armazenamento. >
Aves e animais silvestres foram resgatados
O relatório destaca os grupos bastante procurados pelo tráfico, como serpentes, sapos venenosos e aracnídeos. Além de apontar as espécies mais visadas, o documento revela detalhes sobre as principais rotas utilizadas e a estrutura das redes de contrabando que atuam na região. >
O levantamento aponta que o problema está espalhado por diferentes regiões do país. Ao menos 20 municípios brasileiros registram altos índices de captura ilegal. Entre eles estão Barcelos (AM) e Santa Isabel do Rio Negro (AM), conhecidos pela exploração de peixes ornamentais, além de Altamira (PA), onde aves e répteis aparecem entre os alvos mais frequentes dos traficantes. >
Mesmo com ocorrências em várias partes do país, a Amazônia segue sendo o principal cenário dessa atividade criminosa. A região concentra grande parte das capturas e funciona como ponto de origem de espécies que abastecem mercados clandestinos no Brasil e no exterior, muitas vezes destinadas a colecionadores ou ao comércio ilegal de animais exóticos. >
A estimativa, é de cerca de 38 milhões de animais silvestres sejam retirados da natureza brasileira todos os anos. O número evidencia a dimensão do problema e a pressão constante sobre a biodiversidade do país. >
O tráfico envolve diferentes etapas, que vão desde a captura em áreas naturais até a venda para compradores finais. Esse processo alimenta um mercado clandestino que movimenta grandes quantias de dinheiro e abastece tanto o comércio interno quanto o internacional.>
Espécies raras ou consideradas exóticas costumam alcançar preços mais altos e despertam grande interesse entre colecionadores. A fiscalização, no entanto, enfrenta dificuldades significativas, principalmente em regiões remotas da Amazônia, onde o acesso é limitado e a presença de órgãos ambientais é menor.>
Na Amazônia, alguns grupos de animais são particularmente afetados pela ação do tráfico. Entre eles estão aracnídeos, serpentes, sapos venenosos, aves e peixes ornamentais. >
A grande diversidade biológica da região acaba atraindo o interesse de redes ilegais, que exploram essa riqueza natural de forma predatória. Os animais capturados frequentemente são transportados em condições precárias, o que explica as altas taxas de mortalidade ao longo do trajeto.>
Além do sofrimento imposto aos animais, a retirada constante dessas espécies pode comprometer a estabilidade das populações naturais e gerar efeitos em cadeia nos ecossistemas.>
A retirada sistemática de animais da natureza provoca impactos profundos no funcionamento dos ecossistemas. Quando espécies são removidas em grande escala, relações ecológicas importantes, como a interação entre predadores e presas podem ser alteradas. >
Com o tempo, a diminuição de determinadas populações pode levar até mesmo à extinção local de algumas espécies. Esse processo afeta diretamente a biodiversidade e pode provocar mudanças duradouras na flora e na fauna.>
Especialistas também alertam para outro risco: o tráfico de animais aumenta a possibilidade de surgimento e disseminação de zoonoses, doenças que podem ser transmitidas entre animais e seres humanos.>
Esses fatores dificultam o trabalho de programas de conservação e manejo sustentável, além de ampliar os desafios enfrentados por órgãos ambientais e organizações que atuam na proteção da biodiversidade brasileira.>
No Brasil, capturar, transportar ou comercializar animais silvestres sem autorização é considerado crime ambiental, com penalidades previstas na legislação. >
Casos suspeitos podem ser denunciados aos órgãos responsáveis pela fiscalização. Um dos canais disponíveis é a Linha Verde do Ibama, que recebe informações sobre comércio ilegal de animais, inclusive em feiras ou pela internet.>
Autoridades ambientais destacam que a participação da população é fundamental para identificar rotas de tráfico e ajudar na proteção de espécies ameaçadas. A denúncia pode contribuir diretamente para o combate a esse tipo de crime e para a preservação da fauna brasileira.>