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Médica do Samu é afastada após dar como morta mulher que estava viva

Vítima está internada em estado grave em UTI

  • Foto do(a) author(a) Carol Neves
  • Carol Neves

Publicado em 20 de janeiro de 2026 às 11:32

A mãe da mulher atropelada na Rodovia Comandante João Ribeiro de Barros (SP-294), em Bauru (SP), afirmou que ficou em choque ao receber informações contraditórias sobre o estado da filha, inicialmente declarada morta e reanimada minutos depois. O acidente ocorreu no domingo (19), na altura do km 342, e o caso segue sob investigação, enquanto a médica foi afastada (leia mais abaixo).

Segundo a Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (SES-SP), Fernanda foi levada ao Pronto-Socorro Central (PSC) de Bauru e, posteriormente, transferida para o Hospital de Base, onde permanece internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), em estado grave.

Fernanda Cristina Policarpo tem 29 anos por Reprodução

Em entrevista à TV TEM, Adriana Cristina Roque, mãe da vítima, descreveu o desespero vivido no local. Ela criticou o atendimento inicial e disse que não soube em que versão acreditar ao ser informada, primeiro, da morte da filha e, depois, de que ela ainda apresentava sinais vitais.

“Na hora que eu vi a minha filha estirada no asfalto, já coberta com aquele papel alumínio, e eles falaram pra mim que não podia chegar perto. Falaram que infelizmente minha filha já estava morta, já estava sem vida, e eu queria ver, queria ver, eles não deixavam”, contou.

Pouco depois, um médico da concessionária responsável pela rodovia percebeu movimentos respiratórios da vítima, que já estava coberta com uma manta térmica sobre o asfalto, e iniciou imediatamente as manobras de reanimação.

“Quando falaram que minha filha ainda tinha sinais vitais, que ainda estava viva, eu entrei em desespero e falei: 'isso é uma negligência, isso não existe'. Para eles, ela tava morta, e eu não sabia no que acreditar. Quando falaram que ela ainda tava com vida, eu já não sabia mais se eu acreditava se ela tava viva, se ela não tava", relatou Adriana.

A mãe também afirmou que a demora no socorro pode ter agravado o quadro clínico da filha. “Minha filha ficou um tempão exposta no meio da pista. Se tivessem socorrido na hora, o estado dela não seria tão grave. Ela bateu a cabeça, cabeça é perigoso. Eu acredito que, se tivesse sido atendida imediatamente, o caso seria menos grave”, disse a manicure.

Médica foi afastada

De acordo com o boletim, a Polícia Militar Rodoviária chegou ao local quando a equipe do Samu já havia deixado a área. Em seguida, o médico da concessionária identificou que a vítima ainda respirava e iniciou o atendimento.

A direção do Samu informou que abriu uma sindicância interna para apurar possíveis falhas no atendimento. A médica que atestou o óbito foi afastada até a conclusão da apuração.

Em nota, a Prefeitura de Bauru, responsável pelo Samu no município, afirmou que apura os fatos relacionados ao atendimento e que, se forem constatadas irregularidades, as providências cabíveis serão adotadas conforme os protocolos e normas vigentes. O município também manifestou solidariedade à paciente e aos familiares e ressaltou que “o caso está sendo tratado com prioridade e responsabilidade, diante da gravidade da situação”.  

“A Prefeitura de Bauru reafirma seu compromisso com a preservação da vida, a transparência e a adoção de todas as providências cabíveis após a conclusão da apuração”, diz o comunicado.