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Morto após receber adrenalina na veia, menino Benício agonizava enquanto médica vendia make pelo WhatsApp

Criança de 6 anos estava em estado crítico quando profissional trocava mensagens com clientes, diz polícia

  • Foto do(a) author(a) Carol Neves
  • Carol Neves

Publicado em 4 de maio de 2026 às 11:08

Benício
Benício Crédito: Reprodução

A Polícia Civil concluiu o inquérito sobre a morte de Benício, de 6 anos, e indiciou a médica responsável pelo atendimento por homicídio doloso com dolo eventual. O caso ocorreu em novembro de 2025, em um hospital particular de Manaus, mas a investigação revelou novos detalhes sobre a conduta da profissional durante o socorro.

De acordo com os investigadores, a médica Juliana Brasil prescreveu a aplicação de adrenalina diretamente na veia, quando o protocolo indicava administração por inalação. A criança sofreu uma superdosagem, teve o quadro agravado e morreu horas depois, já na UTI.

Um dos pontos centrais do inquérito são as mensagens de celular analisadas pela polícia. Elas mostram que, enquanto o menino já apresentava sinais graves de reação ao medicamento, a médica trocava mensagens com clientes para vender produtos de beleza.

Benício Xavier de Freitas morreu após receber dose de adrenalina na veia em hospital de Manaus por Arquivo Pessoal

As conversas ocorreram cerca de uma hora e meia após a aplicação da adrenalina. Mesmo na “sala vermelha”, destinada a pacientes em estado crítico, a profissional negociava valores, enviava chave Pix e respondia com figurinhas e mensagens carinhosas. “É como se ela não estivesse ali com um paciente lutando pela vida”, afirmou o delegado Marcelo Martins ao Fantástico, da TV Globo, que divulgou o resultado da investigação. 

Para a família, o comportamento agravou a situação. “Enquanto meu filho precisava de ajuda, ela estava ao celular vendendo cosméticos, ignorando tudo o que estava acontecendo”, disse Joyce Xavier, mãe de Benício.

Tentativa de se isentar

A investigação também aponta tentativa de afastar a responsabilidade pelo erro. A médica apresentou à Justiça um vídeo em que alegava que o sistema eletrônico do hospital teria alterado automaticamente a forma de administração do medicamento. A versão, porém, foi descartada após perícia técnica, que não identificou falhas.

Segundo a polícia, há ainda indícios de que a profissional tentou sustentar essa narrativa, inclusive com a oferta de dinheiro para produção de material que reforçasse sua versão.

Além do homicídio com dolo eventual, Juliana Brasil foi indiciada por fraude processual e falsidade ideológica. A Polícia Civil também apontou que ela se apresentava como pediatra sem possuir especialização na área.

Em nota ao Fantástico, a defesa afirmou que o vídeo apresentado é verdadeiro e reiterou que o sistema do hospital apresentou falhas no dia do atendimento. O advogado Sérgio Figueiredo declarou ainda que, no momento da intubação, o menino já não estava sob responsabilidade da médica. “Ela já não estava sob o domínio daquela criança. Ela seguiu o plantão normalmente”, disse.

O inquérito também resultou no indiciamento da técnica de enfermagem que aplicou a medicação e dos diretores do hospital. Para a polícia, o caso evidencia falhas individuais e estruturais, como a falta de profissionais e a ausência de um farmacêutico para conferir a prescrição.

A médica e a técnica de enfermagem podem responder ao caso em júri popular.