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Perla Ribeiro
Publicado em 16 de fevereiro de 2026 às 20:07
Condenado a 18 anos de prisão por matar e enterrar uma ex-aluna em maio de 2020, um professor da rede estadual do Rio Grande do Norte continuou recebendo salários do Estado por mais de quatro ano anos. Um levantamento realizado pelo jornal Tribuna do Norte constatou que, considerando o período em que esteve preso preventivamente, Rubens Ferreira de Paiva Junior, 32 anos, ficou quatro anos e três meses fora do radar do Estado – com remuneração total de R$ 231.958,20, incluindo salários, gratificações natalinas, férias e 13º. >
Professor de física e robótica, ele foi preso e condenado por matar a estudante Letícia Dyrajaya da Silva Leão, 24. Agora, o Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN) abriu um inquérito para investigar o pagamento indevido. De acordo com as investigações da Polícia Civil e Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN), Rubens e Letícia se conheceram em uma escola privada e mantiveram um relacionamento extraconjugal por um ano enquanto ele ainda era casado. >
Letícia Dyrajaya da Silva Leão foi morta pelo professor
A então esposa de Ruben descobriu a traição e os dois se separaram. Após o rompimento, a estudante acreditava que o professor assumiria a relação. À Polícia Civil, Rubens confessou o crime e declarou que sofria pressão da vítima para que o relacionamento fosse “oficializado”. De acordo com a linha de investigação, foi movida pelo sentimento de esperança que Letícia aceitou o convite para ir à casa de Rubens, na noite de 15 de maio de 2020, quando foi brutalmente assassinada por asfixia e cutiladas e enterrada no quintal da residência do professor. >
Após matar Letícia, Rubens enterrou o corpo em uma cova no quintal. O crime foi desvendado dez dias após o desaparecimento da vítima. Ainda segundo a Civil e o MP, após os crimes, o professor usou o celular da vítima para enviar uma mensagem aos familiares, se passando por ela. Ele escreveu uma carta de despedida, dando a entender se tratar de um suicídio. À época, a situação era tratada como desaparecimento.>
Os investigadores descobriram a mentira após uma visita ao condomínio de Rubens. Na saída da casa, um dos agentes notou um quadrado de terra, de coloração diferente, como se estivesse sido recentemente remexida. Os policiais civis questionaram Rubens, que, encurralado, confessou o crime. Ele foi preso em flagrante pelo crime de ocultação de cadáver. Rubens foi condenado a 17 anos de reclusão pelo homicídio qualificado e mais 1 ano pelo crime de ocultação de cadáver. >
Rubens foi preso em 27 de maio de 2020, 12 dias após o crime, praticado no Jardins, São Gonçalo do Amarante. Ele ficou na cadeia preventivamente até a Justiça proferir a sentença de 18 anos. Entre a condenação e a suspensão salarial se passaram três anos até que o Estado notasse a ausência do servidor. >
Após constatar o recebimento do salário indevidamente, o MP-RN instaurou o inquérito no dia 29 de janeiro de 2026 e está sob responsabilidade da 44ª Promotoria de Justiça da Comarca de Natal. A informação foi confirmada pela promotora de Justiça Keiviany Silva de Sena, que conduz a apuração. A secretária estadual de Educação já foi notificada para prestar esclarecimentos no âmbito do inquérito civil. Rubens progrediu para o regime semiaberto em novembro passado e está em prisão domiciliar, com tornozeleira eletrônica.>
De acordo com a promotora, neste momento o Ministério Público está levantando, junto à Secretaria de Estado da Educação, do Esporte e do Lazer (SEEC), o montante exato dos valores pagos ao servidor durante o período em que ele esteve preso, bem como as circunstâncias administrativas que permitiram a manutenção da remuneração.>
A SEEC informou a Tribuna do Norte que recebeu com tranquilidade a investigação do Ministério Público e informou que está “atendendo, com agilidade e transparência, a todas as solicitações encaminhadas pelo órgão”. A pasta também afirmou que determinou abertura de processo próprio para apurar as circunstâncias do caso.>