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Perla Ribeiro
Publicado em 13 de março de 2026 às 12:08
Dormir mal vai muito além do cansaço no dia seguinte. A falta de sono de qualidade pode afetar o sistema imunológico, prejudicar a concentração e até aumentar o risco de doenças cardiovasculares. No Dia Mundial do Sono, celebrado nesta sexta-feira, 13 de março, especialistas chamam a atenção para a importância de manter hábitos saudáveis de descanso. O problema é mais comum do que se imagina. Segundo a Associação Brasileira do Sono (ABS), cerca de 70% dos brasileiros sofrem com algum tipo de distúrbio do sono.>
Para a pneumologista e médica do sono Raíssa Dantas, do Hospital e Maternidade São Luiz Osasco, esses problemas costumam se refletir rapidamente no dia a dia. “Uma noite mal dormida pode provocar sonolência excessiva, irritabilidade, fadiga e dificuldade de concentração. São sintomas que impactam diretamente a qualidade de vida”, explica. Além disso, a privação de sono também pode comprometer a imunidade, deixando o organismo mais vulnerável a infecções.>
Como melhorar qualidade do sono
Distúrbios mais comuns>
Os distúrbios do sono são condições que prejudicam a duração ou a qualidade do descanso, impedindo que o corpo alcance o chamado sono reparador. Entre os mais comuns estão: insônia, privação crônica do sono e apneia do sono (sendo três tipos: obstrutiva, central ou mista).>
A apneia obstrutiva do sono é caracterizada por obstrução parcial ou total da via respiratória durante o sono. Já a apneia central do sono caracteriza-se por pausas respiratórias durante o sono, decorrentes da ausência ou redução do estímulo respiratório gerado pelo sistema nervoso central. Ela pode ocorrer em situações que alteram o controle ventilatório, como insuficiência cardíaca ou uso de medicamentos que reduzem o estímulo respiratório. Já a apneia mista combina os dois tipos anteriores.>
Segundo a especialista, a Apneia do Sono é o distúrbio respiratório do sono mais frequente. Estudos do Instituto do Sono apontam que, na cidade de São Paulo, o problema atinge cerca de 30% da população. Entre os fatores que podem favorecer o problema estão obesidade, enfraquecimento dos músculos da garganta e alterações craniofaciais. “Essas interrupções intermitentes e frequentes na respiração durante o sono estão associadas ao maior risco de problemas cardiovasculares, como hipertensão e AVC”, destaca a médica.>
Sinais de alerta>
Nesses casos, a recomendação é procurar avaliação médica. O diagnóstico pode envolver exames como a polissonografia, que monitora diferentes parâmetros do organismo durante o sono.>
“No caso da apneia do sono, a polissonografia tipo 3 é um dos exames mais utilizados e pode ser realizada em casa, durante o sono. O paciente recebe orientações para utilizar um dispositivo simples, que inclui uma cinta torácica para registrar os movimentos respiratórios, um oxímetro no dedo para monitorar a oxigenação do sangue, um sensor de posição corporal e uma cânula nasal que mede o fluxo de ar durante a respiração”, explica Raíssa.>
Segundo a especialista, os equipamentos registram essas informações ao longo da noite, permitindo identificar pausas respiratórias e assim diagnosticar a apneia do sono. O exame está disponível no São Luiz Osasco. Outro ponto de atenção é o uso de melatonina sem orientação médica. “A melatonina é um hormônio produzido pelo organismo. Ela é produzida no cérebro e ajuda a sincronizar nosso relógio biológico, sinalizando para o corpo que está chegando a hora de dormir. Ela não é uma substância indutora do sono, como muitos pensam”, orienta.>
6 dicas para melhorar a qualidade do sono:>