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Técnico de enfermagem confessa que matou 3 pacientes em UTI com doses altas de remédio e desinfetante

Duas colegas são investigadas por dar cobertura, segundo a Polícia Civil

  • Foto do(a) author(a) Carol Neves
  • Carol Neves

Publicado em 20 de janeiro de 2026 às 09:00

Vítimas de técnico
Vítimas de técnico Crédito: Reprodução

A investigação sobre as mortes de três pacientes internados na UTI do Hospital Anchieta, em Taguatinga (DF), avançou após a confissão do técnico de enfermagem apontado como principal suspeito. Em depoimento à Polícia Civil do Distrito Federal, ele admitiu ter provocado os óbitos ao aplicar doses excessivas de um medicamento e, em um dos casos, injetar desinfetante diretamente na veia de uma paciente.

Os suspeitos de cometerem os crimes são Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo, Amanda Rodrigues de Sousa e Marcela Camilly Alves da Silva. A reportagem não conseguiu contato da defesa dos acusados.

Suspeito Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo por Reprodução

De acordo com a Polícia Civil, o técnico, de 24 anos, inicialmente negou qualquer envolvimento. A versão mudou depois que ele foi confrontado com imagens do circuito interno do hospital, que registraram as aplicações em momentos críticos das vítimas.

“Em um dos casos, o medicamento acabou - ele injetou cerca de 4 vezes esse medicamento. Essa vítima teve seis paradas cardíacas. Como ela não faleceu, e como o medicamento havia acabado, ele utilizou de um desinfetante que estava na pia do leito. Ele encheu cerca de 13 seringas e injetou diretamente na veia da paciente, e isso também causou o óbito dela”, afirmou o delegado Wisllei Salomão, coordenador da Coordenação de Homicídios e Proteção à Pessoa (CHPP), ao portal G1.

Além de Marcos Vinícius, duas técnicas de enfermagem, de 28 e 22 anos, são investigadas por supostamente terem participado de dois dos três crimes, “dando cobertura”, segundo a polícia. A mais jovem também negou inicialmente, mas reconheceu a participação após assistir aos vídeos e disse estar arrependida de não ter impedido a ação do colega.

As vítimas apresentavam quadros clínicos distintos, mas em todos os episódios houve uma piora súbita que levantou suspeitas, conforme explicou a diretora do Instituto Médico Legal, Márcia Reis. As câmeras da UTI mostraram que as medicações eram aplicadas justamente nesses momentos de agravamento.

As vítimas são a professora aposentada Miranilde Pereira da Silva, de 75 anos, moradora de Taguatinga; o servidor público João Clemente Pereira, de 63 anos, do Riacho Fundo I; e o servidor público Marcos Raymundo Fernandes Moreira, de 33 anos, de Brazlândia. Em um dos casos, a polícia aponta que o técnico utilizou uma seringa para realizar 13 aplicações de desinfetante na paciente de 75 anos.

A investigação também apurou que o suspeito usou a senha de um médico para emitir uma receita falsa, retirar o medicamento na farmácia do hospital e aplicá-lo nas três vítimas, sem o conhecimento da equipe médica. O nome do remédio não foi divulgado. Duas aplicações ocorreram em 17 de novembro do ano passado, e a terceira, em 1º de dezembro. Para tentar despistar a autoria, o técnico realizava massagens cardíacas após as aplicações, simulando tentativas de reanimação.

Segundo a Polícia Civil, o técnico atuava há cerca de cinco anos na área e, após ser desligado do Hospital Anchieta, já trabalhava em uma UTI pediátrica de outro hospital particular da região. As autoridades agora investigam se há outras vítimas tanto no Anchieta quanto em unidades onde ele já atuou.

Mortes

As prisões dos três ex-técnicos ocorreram no dia 11, quando também foram cumpridos mandados de busca e apreensão em Taguatinga, Brazlândia e Águas Lindas de Goiás. A segunda fase da operação foi deflagrada na quinta-feira (15), com a apreensão de dispositivos eletrônicos em Ceilândia e Samambaia. O inquérito tramita sob sigilo, e os nomes dos investigados não são divulgados.

Em nota, o Hospital Anchieta informou que identificou “circunstâncias atípicas” em três óbitos na UTI e, por iniciativa própria, instaurou um comitê interno. A apuração levou à identificação de evidências contra ex-funcionários, que foram encaminhadas às autoridades. A instituição afirmou ainda que solicitou a abertura do inquérito policial, demitiu os envolvidos e comunicou as famílias, “prestando todos os esclarecimentos necessários de forma responsável e acolhedora”.

O Conselho Regional de Enfermagem do DF (Coren-DF) disse que acompanha o caso e adota as medidas cabíveis, destacando que as apurações seguem sob responsabilidade das autoridades e que deve ser respeitado o devido processo legal.

A família de João Clemente Pereira afirmou que acreditava inicialmente em morte por causas naturais e só tomou conhecimento da suspeita de crime no dia 16. Em nota, disse confiar na atuação da Polícia Civil, do Ministério Público e do Judiciário, e informou que adotará medidas legais para a responsabilização criminal dos envolvidos e eventual responsabilização civil do hospital.