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Nauan Sacramento
Publicado em 18 de fevereiro de 2026 às 07:00
Não é apenas nas grandes avenidas e circuitos que vive o Carnaval de Salvador. Nos bairros da capital baiana, a folia correu solta, cada um à sua maneira. No Nordeste de Amaralina, as avenidas foram tomadas por blocos tradicionais, como As Direitinhas. >
Os moradores já encaram a celebração como tradição. É o que conta Maria Beatriz, de 19 anos, nascida e criada no bairro. Ela trabalha em uma barraca ao lado da mãe e não esconde a empolgação com a festa. “O que eu mais espero são os blocos das toalhas, que por cima usam uma fantasia normal, mas por baixo são só toalhas. Você sempre encontra alguma raridade”, brinca.>
O policiamento reforçado também marcou a noite de folia e foi apontado por muitos como um diferencial em relação aos circuitos tradicionais, como Barra-Ondina e Campo Grande. >
Para parte dos moradores, como Stephanie Silva, de 26 anos, a segurança é um dos principais motivos para escolher curtir o Carnaval no próprio bairro. Acompanhada da filha Ester Santos, de 3 anos, ela destaca a ausência de tumulto com carros e motos, além da organização de blocos infantis, que também oferece pontos de apoio para eventuais necessidades: “Aqui é mais tranquilo para trazer criança”.>
O financeiro também influencia para quem opta por permanecer no bairro. Cristiane Mota é moradora do Mordeste há 52 dos seus 54 anos e não frequenta os circuitos oficiais há mais de seis anos. Para ela, o Carnaval local oferece tudo o que é necessário a preços mais acessíveis. “A movimentação é tranquila e os valores cabem no bolso dos moradores. Aqui até o ‘fiado’ ainda rola”, comenta.>
No mesmo circuito, Ana Cláudia Macedo, de 46 anos, alia trabalho à diversão. Vendedora e moradora da região, ela prefere o Carnaval do Nordeste de Amaralina pela possibilidade de lucrar enquanto acompanha os filhos, aproveitando a festa com mais tranquilidade.>
Durante a noite, as ruas do bairro receberam blocos como Complexo do Samba, R9, Baile Black, Dondoletes, entre outros. Ruan Dias, cantor da banda O Pagodão, que puxou um dos trios, comemorou o terceiro ano consecutivo de participação na festa. “Me sinto realizado. É a terceira vez que estou aqui. Ano passado tive o prazer de puxar esse bloco e agora estou de volta, com muito amor e alegria”, afirmou.>
Ao CORREIO, o coronel Cristiano Paraíso, responsável pelo policiamento da área, informou que não foram registradas ocorrências fora da normalidade nem situações suspeitas durante a noite.>
Diversidade>
Beco das Cores e Torre Beats, na Barra; o Espaço Mix, no Rio Vermelho; e o tradicional Palco do Rock, em Piatã, compuseram a grade alternativa da festa, com propostas voltadas a diferentes gêneros musicais e públicos.>
No Rio Vermelho, o Espaço Mix, montado no Largo da Mariquita, reuniu atrações como Rumpilezz, Sarajane, Márcia Freire, Serginho Pimenta, Nessa e Tiri, Cacau com Leite, Elaine Fernandes, Pedro Chamusca, Ana Mametto, Trikciq, Filomena Bagaceira e Adão Negro. >
Na Barra, a Torre Beats reuniu exclusivamente artistas baianos, como Pedro Chamusca, Banda Uel, Diggo e Afrobapho. Também na Barra, a Rua Dias D’Ávila recebeu o Beco das Cores, reunindo DJs e artistas com repertórios ligados ao pop, eletrônico, funk, afrobeat e outras sonoridades contemporâneas. >
Já o Palco do Rock, na orla de Piatã, manteve a proposta de valorizar o gênero dentro da programação oficial. A grade reuniu bandas como Ratos de Porão, Malefactor e Eskrota.>
Além dos palcos alternativos, houve shows na Boca do Rio, Cajazeiras, Itapuã, Liberdade, Pau da Lima, Periperi, Plataforma e nas ilhas de Bom Jesus dos Passos, Paramana e Ilha de Maré (Santana).>
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