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Justiça determina afastamento de policiais militares após briga no Carnaval e acusações de homofobia

PM e esposo denunciam agressões por outros policiais em Ondina

  • Foto do(a) author(a) Maysa Polcri
  • Maysa Polcri

Publicado em 18 de fevereiro de 2026 às 17:33

SSP e a GM no Carnaval
SSP e a GM no Carnaval Crédito: Reprodução SSP/GM

A Justiça baiana determinou o afastamento cautelar de quatro policiais militares envolvidos em uma confusão no circuito Dodô (Barra-Ondina) durante o Carnaval. A situação teve início no sábado (14), quando o esposo de um soldado da PM e outro policial foram agredidos com golpes de cassetetes nas imediações do Morro do Gato. O companheiro do PM denuncia que ambos foram vítimas de homofobia. 

O professor João Vitor Dias da Cruz, de 27 anos, conta que estava com o esposo, que é soldado da PM, e um casal de amigos, quando uma confusão teve início no circuito, por volta das 23h40. O PM estava defendendo o colega, que também é policial, após um caso de homofobia quando uma guarnição da polícia militar se aproximou do grupo. 

"Eles chegaram com muita agressividade e deram quatro tonfadas [golpes de cassete]. Uma nas minhas costas, duas no tórax e uma no peito. Nesse momento, nós avisamos que meu esposo e o amigo dele são policiais militares e, mesmo assim, outro policial disparou dois golpes na cabeça do meu colega", conta João Vitor Dias. O colega dele, policial agredido por colegas de farda, foi encaminhado para o Hospital Geral do Estado (HGE), onde passou por cirurgia e segue internado. 

Esposo de alun-oficial da PM foi alvo de agressões por Acervo pessoal

João Vitor e o marido foram levados por duas guarnições da PM até um módulo policial, sob ameaças. "Fui conduzido mediante imobilização forçada, com o braço torcido, mesmo sem apresentar resistência. Ao reclamar de dor, o aluno oficial me mandou calar a boca, me chamou de 'viado da desgraça' e disse que eu ainda não tinha visto o que era violência", relata a vítima. No módulo policial, uma nova confusão foi registrada. 

"Alguns alunos-oficiais nos levaram para a sala onde os policiais fazem suas refeições. Meu esposo foi agredido, enforcado e eu fui empurrado para fora da sala quando peguei meu celular para gravar a situação", relata o professor. Durante a confusão, um capitão da PM foi até o local da briga e deu voz de prisão ao aluno-oficial companheiro de João Vitor. O motivo da prisão foi a indisciplina.

O soldado foi preso e passou por audiência de custódia na terça-feira (17), sendo liberado sob medidas cautelares. A Justiça ainda determinou o afastamento cautelar dele e dos outros três alunos-oficiais envolvidos na confusão. Foi determinado ainda a instauração de um inquérito policial militar pela Corregedoria com prazo improrrogável de 60 dias. 

Justiça determina afastamento de alunos-oficiais após confusão
Justiça determina afastamento de alunos-oficiais após confusão Crédito: Reprodução

O CORREIO teve acesso à decisão judicial. Nela, o juiz ressalta a gravidade das denúncias de agressão e homofobia. "Na oitiva do militar nesta audiência de custódia foi dito que tanto o representado quanto o seu companheiro teriam sido agredidos e chamados de 'viado' mesmo após a cessação da resistência e após a identificação formal do autuado, o que faz incidir, em tese, o crime de injúria racial por homofobia", pontua o magistrado. 

Além de determinar o afastamento cautelar de quatro policiais, o juiz afirma que também devem ser afastados demais integrantes das duas patrulhas envolvidas na confusão no Carnaval e de "quaisquer outros agentes que tenham participado da ocorrência e que venham a ser identificados no curso das investigações". 

A reportagem entrou em contato com a Polícia Militar, Corregedoria e Polícia Civil, que não se manifestaram sobre o ocorrido até esta publicação. O espaço segue aberto.