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Quando o Ilê passa, o Curuzu lucra: moradores transformam cortejo em renda extra

Casas viram camarotes e varandas se transformam em pontos de venda antes da saída do bloco, que desfilou neste sábado (14)

  • Foto do(a) author(a) Maria Raquel Brito
  • Maria Raquel Brito

Publicado em 15 de fevereiro de 2026 às 00:55

Eliene Ramos vende pastéis na saída do Ilê há 17 anos
Eliene Ramos vende pastéis na saída do Ilê há 17 anos Crédito: Maria Raquel Brito/CORREIO

Para quem mora no Curuzu, ver o Ilê passar é tradição. Ouvir de perto os cânticos, ver a soltura das pombas, receber o banho de pipoca e pó de pemba... Mas, para muita gente, o dia que o Mais Belo dos Belos toma as ruas do Circuito Mãe Hilda significa também a chance de fazer uma renda a mais.

É assim na casa de Edmilson Ramos, de 56 anos, desde que ele se entende por gente. Vizinho do terreiro Ilê Axé Jitolu, ele lembra de vender bebidas e lanches com o pai numa barraca montada na varanda de casa durante a adolescência. Hoje aquela estrutura não existe mais, mas ele a reinventou.

"Eu coloco o isopor aqui e vendo bebidas, só na saída do Ilê. A gente tem que aproveitar esse momento para tirar o pirão do dia seguinte", diz.

Quem quiser assistir de camarote ao início do cortejo também encontra essa possibilidade na varanda de Edmilson, a R$ 50 por pessoa.

Na mesma casa, aqueles que sentirem fome podem comprar um pastel com Eliene Ramos. Irmã de Edmilson, a mulher de 59 anos vê na saída do Ilê uma chance de fazer um dinheiro extra quando a rua está repleta de gente. Tira a pasteleira do armário e coloca na varanda de casa, quase ao lado do isopor do irmão. 

Provando que a família é empreendedora nata, os serviços oferecidos não param por aí: quem precisa ir banheiro também não passa sufoco. Eliene cobra R$ 5 para que os visitantes usem o de sua casa.

Por toda a rua, moradores e moradoras exibem seus isopores e barracas, dos quais saem para as mãos dos clientes bebidas, salgados, caldos e muito mais.

Do outro lado da rua, outro exemplo se destaca. O movimento é tanto que ninguém atrás dos isopores fica parado: uma pega os pedidos enquanto outra entrega os produtos e a terceira registra os pagamentos. É a família de Elaine Maria da Silva, de 40 anos, que monta essa força-tarefa ano após ano.

"Minha irmã, Núbia, mora aqui e começou a fazer. Agora é tudo em família, um ajudando o outro, todo mundo trabalhando", afirma.

Um olhar atento revela ainda um quarto agente da família entregando pulseirinhas de acesso à casa atrás deles, que também se transforma em camarote para o cortejo do Ilê. “Acaba o carnaval e o pessoal já entra em contato com a minha irmã e já reserva, fala ‘ano que vem eu estou novamente’. Essas pessoas já indicam outras e vão passando adiante”, conta.

O projeto Correio Folia é uma realização do Jornal Correio com apoio institucional da Prefeitura Municipal de Salvador.

Tags:

Carnaval ilê Aiyê