Aquiles do MPB4: A diversidade musical de um craque

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Publicado em 1 de fevereiro de 2016 às 00:01

- Atualizado há 10 meses

O compositor e pianista carioca Tomás Improta lançou A Volta de Alice (Kalimba Discos), seu oitavo CD solo. Após a gravação de alguns álbuns, dentre eles Um Passo à Frente (1973), seu primeiro trabalho, Tambores Urbanos (1995) e Certas Mulheres (1998), Improta festeja hoje 45 anos de profissão. Muito musical, em A Volta de Alice, ele demonstra que a sua diversidade criativa amadureceu, lance que só o tempo na estrada confere ao músico.

Sua criatividade aflora em composições próprias e de outros autores. Capacidade inventiva que tem o frescor e o viço que nascem ao sabor do apreço que ele tem e dá às melodias, harmonias e levadas rítmicas.

A Volta de Alice tem onze músicas (mais uma faixa de bônus). Nelas, Tomás Improta divide os arranjos com o saxofonista Marcelo Martins e o baixista Carlos Pontual (este que é também o produtor musical do disco).

Contando com uma formidável relação de instrumentistas para optar pelo que melhor lhes convêm, os três deitaram e rolaram nas criações autorais de Tomás e nas recriações de clássicos da música brasileira – que vão desde Império do Samba (Zé da Zilda) até Esperança Perdida (Tom Jobim e Billy Blanco) e Vagamente (Roberto Menescal). O que se ouve, então, são intervenções de admiráveis experimentalismos e atonalidades; de inversões harmônicas que tangem a música concreta sem perder nem a contemporaneidade pop, nem a tradição rítmica da diversidade da música brasileira.

Império do Samba (Zé da Zilda) abre os trabalhos. Uma levada de maracatu substitui o ritmo de samba original – apenas esta sacada já valeria aplausos acalorados. Um naipe de sopros (trompete, trombone e sax tenor) nos leva à muvuca de um bloco carnavalesco. O piano de Improta cria um belo intermezzo que contrasta com a pegada da percussão. Meu Deus!

A vontade de aplaudir se renova: A Volta de Alice (Improta e Carlos Pontual) é um ótimo tema. Percussões e sintetizador iniciam. A bateria eletrônica ajuda a criar o clima. É como se nos tornássemos viajantes a vagar com a personagem pelo Universo, entre estrelas cadentes e marcianos esquisitos.

É Azul e Como o Céu, É dos Aviões (ambas de TI) têm, basicamente, o mesmo escopo composicional. A primeira, um divertimento quase atonal, nos remete ao espectro de um planeta distante. Na segunda, o sintetizador cria sons de um avião em voo rasante que aproxima o céu da terra, até que desaparece dos ouvidos. As duas estão em sintonia com um experimentalismo atualizado, movidas a sintetizador e percussão.

O CD fecha com Tomás Improta ao piano em Avarandado (Caetano Veloso). Beleza revivida em arranjo tão ousado quanto irrepreensível. Coisa linda!

O piano traduz o pensar e o saber que Tomás anota em suas teclas – e é nele, o seu teclado, que o músico busca sua fortaleza. Tamanha é a sua vocação para extrair modernidade do piano, que ela agrega alegria a quem o escuta. E dá orgulho pelo simples fato de sermos contemporâneos.