Aquiles do MPB4: Ela sambou, tu sambarás

Linha Fina Lorem ipsum dolor sit amet consectetur adipisicing elit. Dolorum ipsa voluptatum enim voluptatem dignissimos.

Publicado em 15 de fevereiro de 2016 às 02:36

- Atualizado há 10 meses

Para comemorar seus 20 anos de carreira, a compositora e cantora paulistana Klébi lança Sambarás (Dabliú Discos). O balanço está presente nos 12 sambas do álbum – sete têm letra e música dela e quatro são parcerias com Gian Correa (sendo um dos quatro com Raul Correa), além de um outro composto com José A. Almeida.Afinada, sua voz deita e rola na região média do teclado do piano. Seus agudos e graves não comprometem, mas não soam tão naturalmente. Assim sendo, Gian Correa, o arranjador do disco, certamente dispensou muita atenção na escolha da tonalidade de cada samba. Esse cuidado valorizou a região onde Klébi se sente mais à vontade e deu a ela ainda mais tranquilidade para melhor interpretar.Suas letras têm vida. Os versos falam por si, mesmo quando apenas lidos, já que por vezes eles mais parecem uma saborosa crônica do dia a dia. Tendo o amor como tema recorrente, a emoção permeia cada verso. Klébi cria belas imagens, como em Samba na Manga: "(...) Eu tenho um samba guardado/ Em uma nuvem/ Os mortais que se cuidem (...)".Numa única música os versos não se encaixam à perfeição com a melodia. Contudo, isso não compromete o resultado final, já que que tal desencaixe só pinta uma vezinha em Chega de Música Boa (Klébi):"(...) Vou virar essa página escura/ Derramar apenas uma lágrima pura/ Em minha própria consideração (...). Entretanto, nela também ouvimos uma declaração de desamor, um tremendo “passa moleque”: (...) Vou minimizar meu louco desejo/ E aproveitando o ensejo/ Você não passou de Ilusão (...)".O amor e suas diversas possibilidades inspiram Klébi... Assim como tem o “passa moleque”, tem também arrebatadas e esperançosas confissões, como a de Encantada: "Encantada/ Por que não dizer/ Apaixonada?/ E por que não crer/ Correspondida? (...)". Com Klébi, o samba é rei. Para agregar-lhe mais majestade, foi preciso vestir-lhe uma beca de responsa. Hábeis instrumentistas, aptos a buscar a roupa mais apropriada ao repertório, foram selecionados pelo grande Eduardo Gudin, produtor artístico do CD – samba é com ele mesmo. Sob sua experiência, os sambas ganharam mixagem (Gustavo Dias do Vale) e masterização (Beto Mendonça) à altura da boa qualidade disco.Para o samba, além do violão de sete cordas de Gian Correa, ele chamou Junior Pita (violão de seis cordas), Maik Oliveira (cavaquinho), Allan Abbadia (trombone), Adriano Busko e Lael Medina (bateria), Raphael Moreira (percussão) e José Almeida e Martché (piano). Com eles o coro come. A boniteza sobra em No Tempo Deste Verbo – Sambarás, samba dolente que emprestou seu título ao CD e tem um refrão contagiante: "Sambarás/ Asseguro-te que sambarás/ No tempo desse verbo/ Tudo se dará (...)". Nele o samba conjuga o verbo sambar. Ouçam o disco da Klébi, eu lhes asseguro que sambarão sob o reinado do bom samba, tão brasileiro quanto vivo.