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A Inteligência Artificial tem limites — e eles começam no ser humano

Há esperança para a humanidade enquanto o ser humano for capaz de espanto e admiração, de fazer perguntas e apreciar criticamente

  • Foto do(a) author(a) Dom Sergio da Rocha
  • Dom Sergio da Rocha

Publicado em 26 de janeiro de 2026 às 05:00

A inteligência artificial está ajudando na criação de novas profissões (Imagem: SuPatMaN | Shutterstock)
È inegável a importância crescente da 'Inteligência Artificial' Crédito: Imagem: SuPatMaN | Shutterstock

Tem se difundido sempre mais a sigla IA ou a expressão “Inteligência Artificial”, temática até há pouco tempo desconhecida ou ainda pouco compreendida, mas cujos efeitos vão se repercutindo, em graus diversos, na vida das pessoas, mesmo daquelas que não tem acesso às modernas tecnologias de comunicação. È inegável a importância crescente da “Inteligência Artificial”, representando uma nova fase da humanidade, até há pouco tempo inimaginável. É um dos fatores decisivos na mudança de época, rápida e profunda, que temos vivido.

Diante da realidade nova e complexa, representada pela IA, é preciso evitar duas atitudes, assim como, em outros âmbitos do progresso científico e tecnológico. A primeira é a da exaltação ingênua ou da admiração a-crítica, incapaz de reconhecer limitações e ambiguidades. A segunda é a condenação “a priori”, desconhecendo potencialidades e aspectos positivos. Nem profetas da desventura, sempre prontos a condenar o que se apresenta como novidade, nem admiradores ingênuos, incapazes de um discernimento crítico. Além disso, em nada contribui para o bem da humanidade uma submissão causada pela pretensão equivocada de neutralidade ética das modernas tecnologias, pois é preciso estar atentos para os interesses políticos e econômicos. O âmbito da Inteligência Artificial não está acima do bem e do mal, nem pode ser o fator determinante do bem e do mal. É preciso reconhecer seus valores e limites, contribuições e riscos. Temos uma ocasião privilegiada para o discernimento prudente e corajoso, tarefa inegável para uma IA humanizada e humanizadora.

A Inteligência Artificial não pode substituir nem controlar a pessoa humana, com sua dignidade incomparável e liberdade fundamental; não deve ofuscar ou enfraquecer a criatividade e a autonomia constitutiva da pessoa. A inteligência humana é tão grande que se torna capaz de criar a IA. Deve ser preservada a centralidade da pessoa, com sua dignidade, liberdade e capacidade de investigação e invenção. A IA pode contribuir, mas não substituir a inteligência e a consciência dos seres humanos, nem reivindicar para si a expressão única e total da verdade.

A recusa da pretensão de neutralidade ética no campo da IA impõe a difícil e irrenunciável tarefa de conjugar a liberdade de expressão com a responsabilidade no seu uso. Não se trata apenas de uma questão de discernimento pessoal, mas que exige a atuação de legisladores, governantes e entidades da sociedade civil, segundo os respectivos âmbitos e graus de responsabilidade. Há esperança para a humanidade enquanto o ser humano for capaz de espanto e admiração, de fazer perguntas e apreciar criticamente.

O Papa Leao XIV, assim como o saudoso Papa Francisco, tem abordado em muitas ocasiões a IA, reconhecendo as suas contribuições e alertando sobre as suas ambiguidades, sinal de uma Igreja em diálogo com as ciências, em vista do bem da humanidade.

Dom Sergio da Rocha é cardeal arcebispo de São Salvador da Bahia

Tags:

Inteligência Artificial Religião