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Publicado em 16 de março de 2026 às 05:00
Março, mês da mulher, é uma oportunidade para conhecer e reconhecer, com base em dados, as conquistas femininas, especialmente em setores historicamente masculinos, como a Indústria. Na indústria baiana, os indicadores revelam um quadro que combina desafios persistentes e avanços concretos na direção de maior equidade de gênero. >
Atualmente, as mulheres somam 97.745 vínculos na indústria da Bahia. Trata-se de um contingente expressivo em um ambiente que, por décadas, foi predominantemente masculino. Mais do que isso, a presença feminina vem avançando em segmentos estratégicos da atividade industrial, não apenas em participação, mas também em reconhecimento remuneratório em alguns segmentos.>
Para compreender esse movimento, o Observatório da Indústria da Bahia realizou um estudo sobre a inserção feminina no setor. Um dos principais destaques está na indústria de transformação. Em 2020, as mulheres eram cerca de 26% da mão de obra desse segmento. Agora, correspondem a 30%. A evolução é relevante em uma atividade central para a agregação de valor, a inovação e a competitividade da economia baiana.>
Os dados de remuneração também ajudam a qualificar o debate. No agregado da indústria, as mulheres ainda recebem menos do que os homens. Mas esse não é o retrato completo. No segmento de Água e Esgoto, as mulheres recebem, em média, R$ 682,04 a mais, o equivalente a uma diferença positiva de 16,4%. Na Indústria Extrativa, a vantagem feminina supera em mais de R$ 1.000,00 os salários dos homens, uma diferença de 14%. A Construção, um dos setores mais masculinizados da economia, conta com apenas 9% de participação feminina, porém as mulheres também têm salário médio superior ao dos homens.>
Além disso, iniciativas como o Programa Elas Constroem, realizado pelo Sistema FIEB em parceria com entidades da construção civil, mostram como ações direcionadas podem acelerar a inclusão feminina. Em 2025, as 20 formandas foram contratadas ao fim do curso.>
Esse avanço é reforçado também por ações institucionais do Sistema FIEB, como a atuação do Comitê da Mulher na Indústria, formado por líderes industriais baianas que trabalham para tornar a presença feminina no setor uma regra, e não uma exceção, defendendo a diversidade como uma força. Esse compromisso também se expressa no fato de a entidade ter, pela primeira vez, uma mulher ocupando o cargo de vice-presidente.>
Os desafios persistem, sobretudo na diferença salarial média e na menor participação feminina em alguns segmentos. Ainda assim, os dados mostram que a indústria baiana já apresenta avanços reais. Promover maior equidade de gênero não é apenas uma agenda social, mas estratégia associada à modernização do mercado de trabalho, à ampliação da diversidade produtiva e ao fortalecimento da competitividade indústria.>
Vanessa Natali da Paz dos Santos é economista da FIEB>