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A morte quase certa no ‘Globo’, as rifas ilegais que compram viatura e a espera de 23 anos

Confira a coluna na íntegra

  • Foto do(a) author(a) Bruno Wendel
  • Bruno Wendel

Publicado em 16 de março de 2026 às 05:00

Entre as vielas da Rua Sete de Agosto, gritos, choros e súplicas se misturam às saraivadas de tiros. Quem é arrastado para lá já sabe: a morte é quase certa. Cercado por casebres, ninguém intervém. O silêncio é imposto pelo medo: quem se opõe pode ter o mesmo destino. Assim funciona o Globo, localidade de Santa Cruz, no Complexo do Nordeste de Amaralina.

Portas e janelas trancadas testemunham as barbaridades cometidas pelo Comando Vermelho em seu “tribunal do crime”. Até pouco tempo, a fama era restrita à região, onde, segundo relatos, eram executados estupradores, ladrões e quem descumprisse regras da facção.

No último dia 2, porém, traficantes invadiram uma casa e o caso expôs o local. A suspeita é que, após as execuções, os corpos sejam “desovados” em outros bairros, o que explicaria a falta de registros de mortes violentas na área.

Complexo do Nordeste: no ‘Globo’, a sentença é a morte
Complexo do Nordeste: no ‘Globo’, a sentença é a morte Crédito: Google Street View/Rerodução
Complexo do Nordeste: no ‘Globo’, a sentença é a morte por Google Street View/Rerodução

Compra de viatura com dinheiro de rifas ilegais

A nova viatura do Departamento de Repressão e Combate à Corrupção, ao Crime Organizado e à Lavagem de Dinheiro (Draco), uma picape de alto desempenho, foi adquirida com recursos de apreensões judiciais.

A Vara dos Feitos Relativos a Delitos de Organização Criminosa de Salvador destinou à Secretaria de Segurança Pública (SSP) R$ 490 mil recuperados na Operação Falsas Promessas, que desarticulou uma quadrilha de lavagem de dinheiro oriundo de rifas ilegais. O modelo permite que forças policiais utilizem valores do crime para aquisição de equipamentos.

Em outra decisão recente, cerca de R$ 37 milhões apreendidos do “jogo do bicho” foram destinados ao fortalecimento das forças de segurança da Bahia. A sentença foi assinada pelo juiz Waldir Viana Ribeiro Júnior após o levantamento do segredo de Justiça.

Justiça destina R$ 490 mil de operação contra rifas ilegais para compra de viatura do Draco
Justiça destina R$ 490 mil de operação contra rifas ilegais para compra de viatura do Draco Crédito: Divulgação
Operação Falsas Promessas por Reprodução

Indenização

São 23 anos, um mês e quatro dias que a servidora aposentada da Polícia Militar, Maria de Fátima Lordelo, de 65 anos, luta por uma indenização.

Ela já perdeu a visão e pode ficar cega de vez após adquirir uma doença no trabalho e pede danos morais de R$ 150 mil. Em novembro de 2024, o juiz Pedro Rogério Godinho fixou a indenização em R$ 40 mil.

A defesa da servidora recorreu, mas o processo está parado na 8ª Vara de Fazenda Pública de Salvador.

Mulher espera há 20 anos
Mulher espera há 20 anos Crédito: Paula Fróes
Mulher espera há 20 anos por Paula Fróes