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Entre a urna e o estádio: o que esperar do Brasil em 2026

Eleições, Copa do Mundo, economia e segurança pública se cruzam em um ano que promete testar a maturidade política e emocional do país

  • Foto do(a) author(a) Miro Palma
  • Miro Palma

Publicado em 1 de janeiro de 2026 às 05:00

Entre a urna e o estádio
Entre a urna e o estádio Crédito: Imagem gerada com Inteligência Artificial

O Brasil inicia 2026 sob o peso e a promessa de ciclos decisivos. O ano começa como um período em que o calendário político e o calendário simbólico do país se encontram: será uma temporada de eleições gerais e Copa do Mundo. Essa coincidência não é apenas estatística. Ela tende a amplificar emoções, discursos e disputas, revelando muito sobre quem somos como sociedade e quais os caminhos que pretendemos seguir.

No campo político, o ano eleitoral deve reacender debates centrais que atravessam o país: o papel do Estado na redução das desigualdades, os limites da responsabilidade fiscal, a defesa das instituições democráticas e a capacidade de diálogo. O desafio será transformar a polarização em confronto de ideias, e não em desgaste institucional. O eleitor brasileiro chega mais atento, mais desconfiado e consciente do peso de suas escolhas.

Na Bahia, um tema tende a ocupar lugar central nesse debate: a segurança pública. A sensação de insegurança, presente no cotidiano de Salvador e também do interior, tornou-se uma das principais preocupações da população. Violência, atuação do crime organizado e respostas do poder público estarão no centro das cobranças. O desejo por mais segurança não é ideológico — é concreto, urgente e atravessa classes sociais e posições políticas.

A economia seguirá como um dos principais termômetros do humor social. Inflação, emprego, crescimento e credibilidade fiscal pautarão tanto o debate eleitoral quanto a vida cotidiana das famílias. Aqui na Bahia, como em todos os estados, onde desenvolvimento regional, infraestrutura e políticas sociais impactam diretamente milhões de pessoas, a discussão nacional ganha contornos locais muito claros. O Brasil de 2026 precisará mostrar que é capaz de crescer sem aprofundar desigualdades históricas nem ignorar a qualidade de vida nas cidades.

Paralelamente à política, a Copa do Mundo surge como um raro ponto de convergência emocional. O futebol, com sua força simbólica, costuma suspender por alguns instantes as diferenças mais duras e oferecer uma narrativa de pertencimento coletivo. Em um ano de tensões, a Seleção Brasileira pode voltar a ser espaço de catarse, esperança e identidade — ainda que isso não substitua, evidentemente, os debates estruturais que o país precisa enfrentar.

Mais do que entretenimento, o futebol funciona como termômetro social. Vitórias e derrotas costumam dialogar com o humor dos brasileiros, influenciando conversas, manchetes e até o clima político. Em ano eleitoral, essa relação tende a se intensificar: o desempenho em campo pode reforçar sentimentos de autoestima nacional ou frustração coletiva, lembrando que, apesar das paixões, nenhum resultado esportivo resolve sozinho os desafios reais do Brasil.

Assim, o ano que começa não será apenas mais um. Ele exigirá maturidade política, responsabilidade coletiva e senso crítico — tanto dos que disputam o poder quanto dos que o delegam. Entre o voto e o apito final, entre a urna e o estádio, o país terá a chance de reafirmar valores, corrigir rumos e projetar futuros. Que 2026 seja menos um ano de promessas fáceis e mais um tempo de escolhas conscientes.

Miro Palma é jornalista e coordenador do impresso no CORREIO