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Publicado em 8 de janeiro de 2026 às 17:25
Era uma vez, nas terras altas da Consciência, uma Rainha que vivia o conto de fadas da mulher moderna: culpa e exaustão. Num dia comum, em meio a pilhas de processos e a insurreição contra a política do tirano Primeiro Ministro, a Rainha resolveu espairecer caminhando nos belos jardins do Palácio. Para afastar o dragão da improdutividade, respondeu e-mails e mensagens, bateu a meta de passos e jejum e, entre uma sensação de desmaio e outra, bebeu litros de água e só parou quando sentiu um aperto no peito e pensou: “Não posso ficar doente”. Neste momento, um desajeitado sapo saltou do charco e coaxou: “Vá! Não precisamos de você aqui!”. Atordoada com o coaxo de liberdade, a Rainha retornou ao Castelo e o seu corpo sucumbiu. >
Arrebatada por Hypnos e aprisionada por Morfeu, nem mesmo o beijo do amor verdadeiro da Princesinha conseguiu despertá-la. O reinado seguiu enquanto Chronos desfiava impiedoso o fio da existência. Num lampejo de humanidade, Kairos fez emergir das profundezas uma velha sábia que sussurrou: “Levante!”. A Rainha saltou da cama, abraçou a Princesa, trocou o jejum por um prato de cuscuz, devolveu expectativas, dividiu responsabilidades, fechou portas sem alardes, guardou o salto e foi correr descalça atrás da própria vida.>
Esse, definitivamente, não é um conto de fadas clássico, mas certamente traz a esperança de um final feliz. Sou Maria Tereza Oliveira, a rainha, o sapo, a velha sábia e a dona do meu tempo. Como a maioria das mulheres adultas, acreditei ser insuficiente nos meus diversos papéis sociais e me apertei, até sufocar, para permanecer em lugares que não me cabiam. >
Na Advocacia, o rito das confissões me indicou o caminho da Psicologia. Primeiro, me formei Arteterapeuta pelo renomado Instituto Junguiano da Bahia (IJBA) e pela Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública. Depois, tive a coragem de despir a beca e para ser caloura de Psicologia. Sim, é preciso coragem para sacudir a poeira do inconsciente, se despir e seguir os chamados. >
A Arteterapia é uma prática terapêutica complementar à medicina tradicional e integra a Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC). A arte é o fundamento do processo e as produções são pontes do inconsciente que servem como canal de ressignificação dos conflitos e das percepções do indivíduo sobre si e o mundo. >
A Arteterapia não me curou, ela me salva diariamente. Me salva quando entendo os comportamentos a partir da mitologia e me atiro na jornada heroica, começando pelo atemporal “era uma vez”, enfrentando conflitos e provações, e terminando com a esperança dos finais felizes. Me salva quando escuto os sonhos dos meus pacientes e juntos pintamos e alinhavamos o real e a fantasia. >
E você, tem coragem de encarar os símbolos do inconsciente através da Arteterapia? >
Maria Tereza Oliveira, Advogada e Arteterapeuta>