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Pombo Correio
Publicado em 9 de janeiro de 2026 às 05:00
Cantando de galo >
O governador Jerônimo Rodrigues (PT) anda tão insatisfeito com o ministro da Casa Civil, Rui Costa (PT), que aproveitou entrevistas concedidas nesta semana para mandar alguns recados públicos, que caciques da base petista interpretaram como indiretas ao ex-governador. A chateação de Jerônimo decorre do retorno das especulações de que Rui estaria interessado em disputar o Palácio de Ondina nas eleições deste ano, tese ainda defendida por pessoas simpáticas ao ministro. Nas entrevistas, Jerônimo reafirmou algumas vezes ser o líder do grupo político e que, como tal, vai conduzir o processo de sucessão da base governista para a disputa deste ano. As falas, segundo aliados, foram direcionadas a Rui e teriam o objetivo de avisar que Jerônimo não está nem um pouco disposto a abrir mão de disputar a reeleição. >
Soltou a mão>
A classe política da Bahia assiste atônita ao movimento do senador Otto Alencar (PSD) de deixar para trás o aliado de longas datas, o senador Angelo Coronel. Se antes, ele condicionava a continuidade da aliança com o PT à presença do compadre na majoritária, invocando seu direito de tentar a reeleição, tal como vale para o governador Jerônimo, agora o recado público com todas as letras é que o PSD marchará com o PT mesmo se Coronel for rifado da chapa - como está desenhado, abrindo caminho de vez para a composição puro-sangue tão sonhada pelos petistas.>
Irritação>
Integrantes do PSD avaliam que o PT tenta fazer com Coronel o mesmo que fez com João Leão em 2022. A diferença, analisam, é que, com Leão, o processo foi mais rápido, enquanto com Coronel tem sido lento, em doses homeopáticas, já desde o ano passado. A estratégia inclui pregar a unidade, mas, na prática, todo mundo já sabe que o PT vai bancar a chapa puro sangue com Jerônimo, Rui e Wagner, colocando Coronel para fora. "É uma conversa bonita, mas no mundo real estão fritando Coronel sem pena e de forma maquiavélica", avaliou um parlamentar, sob anonimato. Internamente, integrantes do PSD também andam insatisfeitos com a postura de Otto ao não defender o compadre. >
Lua de mel>
Chama a atenção que o próprio Otto admitiu esta semana estar “sem diagnóstico” sobre o jogo eleitoral de 26. “Eu sou médico, sempre operei quando tinha diagnóstico, e eu estou sem diagnóstico na política”, disse. Mesmo assim, já antecipou uma posição eleitoral coadjuvante para o PSD, que tem hoje o maior número de prefeitos da Bahia. Dizem os provocadores que o senador anda embelecido pela nova lua de mel com o PT depois de ter emplacado o filho homônimo como novo conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE-BA).>
Ivana e o vácuo>
Dizem que a presidente da Assembleia Legislativa, deputada Ivana Bastos (PSD), ficou uma arara ao saber que o comando da Casa entrou no radar do que foi ofertado para conter Angelo Coronel na base petista. Ficou ainda mais chateada com os rumores de que o senador Otto Alencar teria dado sinal verde à articulação. Por outro lado, apesar de manifestar o desejo de se reeleger presidente, Ivana não esconde de ninguém que se movimenta para ficar pronta a ocupar o eventual vácuo deixado pela família Coronel - E quem sabe talvez acompanhar uma vaga de vice.>
Incômodo>
Voltando ao TCE, tem incomodado muito o corpo técnico da Casa a forma como o governo tem usado a reputação do tribunal para respaldar medidas de governo, como foi no escopo do contrato do projeto da ponte Salvador-Itaparica e também na compra de trens usados para serem aproveitados na obra do VLT. Apesar de também poder atuar pelo viés preventivo e de consultoria, o TCE passou - na visão de alguns quadros internos - a servir de fiador para tomadas de decisões do governo. Lembram ainda que o mesmo governo descumpre repetidamente diversas diretrizes de gestão pública que o Tribunal assina nos relatórios de auditoria, como o volume desenfreado e indevido de Despesas de Exercícios Anteriores (DEA), que foi uma das ressalvas colocadas sobre as contas de 2024: foi R$ 1,7 bilhão em DEA relativas a compromissos já conhecidos desde 2023, mas que ficaram flutuando no orçamento.>
A culpa...>
O governo Jerônimo conseguiu se superar nesta semana quando o assunto é transferir responsabilidade, característica, inclusive, que é uma marca das gestões do PT na Bahia. Primeiro, com a questão dos ambulantes que atuam na atual rodoviária. Segundo o governo Jerônimo, a prefeitura é que teria que dar uma solução para a situação dos ambulantes, que, com o fechamento do terminal, ficariam desassistidos. Ou seja: a gestão do PT, que diz cuidar de gente, não pensou nos trabalhadores ambulantes na nova rodoviária e, agora, tenta culpar a prefeitura.>
...é sempre dos outros>
O segundo caso trata do estádio de Pituaçu, que foi abandonado por anos e anos pelo governo. Agora, às vésperas do início do campeonato baiano, o governo quer empurrar para a prefeitura a responsabilidade pela liberação dos jogos no estádio, que tem a previsão de sediar algumas partidas da competição. Acontece que a prefeitura já concedeu os pedidos feitos pelo governo, que tenta, no discurso, esconder o descaso com o equipamento esportivo. >
Recálculo>
Deputados da base governista passaram a especular, em conversas reservas, se Jerônimo tem mesmo o número de prefeitos que a articulação política do Palácio de Ondina anda alardeando. Isso porque dezenas de gestores terminaram o ano de 2025 com a insatisfação nas alturas tanto com Jerônimo quanto com o governo Lula. A nível federal, reclamam da queda das transferências, o que tem arrochado as contas. Em relação ao Estado, dizem que as entregas prometidas não saem do papel e, para completar, muitos não conseguiram fazer suas festas de réveillon por conta da falta de apoio do governo. Parlamentares dizem que esta chateação pode ser irreversível e ter repercussão nos apoios ao governador em outubro. >
Apontou o culpado>
Integrante da base governista e filiado ao PT, o deputado estadual Euclides Fernandes rompeu a etiqueta de aliado e cobrou publicamente do governador Jerônimo o pagamento de salários atrasados de trabalhadores do Hospital Geral Prado Valadares, em Jequié, seu principal reduto eleitoral. O parlamentar chegou a fazer uma marcação direta do perfil do governador na postagem com letras garrafais nas redes sociais. O gesto, obviamente, incomodou o núcleo do governo e mostrou que em ano eleitoral até os aliados sabem apontar o culpado quando a coisa aperta.>
Rodízio do calote>
A cobrança feita em Jequié está longe de ser caso isolado. Episódios de atraso de salários em hospitais administrados pelo Estado ocorrem em diferentes regiões da Bahia. A oposição já apelidou até que o governo Jerônimo faz uma espécie de rodízio do calote na saúde. Em vez de resolver o problema, os só mudam de endereço. Já passou por Porto Seguro, Juazeiro, Irecê, Hospital da Mulher e Hospital Ortopédico, só para citar alguns exemplos. O famoso ’devo não nego’ se espalhou pela Bahia.>