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Publicado em 1 de janeiro de 2026 às 06:00
O Esporte Clube Bahia nasce a 1º de janeiro de 1931 – exatamente há 95 anos. Mesma idade de minha tia Ester de Lima Bomfim, que veio ao mundo em 28 de dezembro de 1930, na Fazenda Riacho Claro, nos confins de São Sebastião do Passé, no Recôncavo. Diferença de dias, embora as tratativas para nascimento do Tricolor de Aço já ocorressem no findar de 1930, nas reuniões da Rua Carlos Gomes, no bar do Jócquei Clube da Bahia. E um pouco antes, nos amistosos realizados pelos jogadores “desempregados” do Clube Bahiano de Tênis e da Associação Atlética da Bahia – que encerraram os seus departamentos de futebol em 1929 – e, também, fundadores da nova agremiação com o nome e as cores da bandeira da Bahia. Escolheram o primeiro dia do ano novo para marcar o nascimento de um clube novo, “nascido para vencer”.>
Em 95 anos, minha tia Ester e o ECB passaram por vários acontecimentos e muitas transformações. Quando chegaram ao mundo, o Brasil vivia ainda no calor da Revolução de 1930, quando, em 24 de outubro, um golpe depôs o presidente Washington Luís e impediu a posse do presidente eleito, o paulista Júlio Prestes. Era o fim da República Velha, e o início da ascensão do gaúcho Getúlio Vargas ao poder.>
Ester e o Bahia, em 95 anos, assistiriam a muitas coisas: a II Guerra Mundial; a chegada do homem à Lua; a ditadura militar de 1964 e a redemocratização; o nascimento de ícones da MPB, como Chico, Caetano, Gil e a Jovem Guarda de Roberto Carlos; a baianidade de Jorge Amado, Caymmi, Carybé e Joãio Gilberto; as invenções da pílula e do Viagra; a morte do Campo da Graça e o nascer da Fonte Nova; Moraes e Armandinho no Trio Elétrico de Dodô & Osmar; os smartphones substituindo, com voz e imagem, as cartas e os telegramas.>
No plano esportivo, minha tia e o Esquadrão foram contemporâneos do Maracanazzo, em 1950; do penta mundial canarinho; da dor do Sarriá, em 1982; do desfile de Puskás, Sanfilippo, Evaristo de Macedo, Mário, Arenari, Pelé, Garrincha, Douglas, Cruijff, Maradona, Zico, Paulo Rodrigues, Beckenbauer, Zidane, Ronaldinho Gaúcho, Bobô, Messi, Arrascaeta e Everton Ribeiro.>
O Bahia ganhando o título de 1959, de primeiro campeão brasileiro e primeiro clube do país a disputar a primeira Libertadores das Américas, em 1960; minha tia Ester casando-se com Antônio Lago, o Bigorna, e montando o Armarinho Bomfim na parte superior do Mercado Municipal de São Sebastião – ao lado da Barbearia de Belisário – e com o advento do nascimento de seu único filho, Marcos.>
Os anos 1980 são marcantes: o Esquadrão fatura o segundo título brasileiro de 1988, em finais épicas contra o Internacional; enquanto Ester ganha o seu único neto, Bruno – meu afilhado – e que precisou passar, na tenra infância, por uma “pisa pedagógica” – para indignação de minha comadre Jussara – para tornar-se um Tricolor ainda mais apaixonado do que eu.>
Ao centenário, Ester e Esporte ClubeBahia! >
Nestor Mendes Jr., jornalista, é autor de “Bahêa, Minha Paixão – Primeiro Campeão do Brasil”>