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Rins, saúde e sustentabilidade

Cuidar das pessoas, proteger o planeta e enfrentar a invisibilidade da doença renal crônica

Publicado em 10 de março de 2026 às 05:00

Eles trabalham 24 horas por dia. Filtram o sangue, regulam a pressão, participam da produção de hormônios e equilibram líquidos e eletrólitos. Silenciosos e precisos. Ainda assim, quase não falamos deles. Mas, no dia 12 de março, o mundo volta seus olhos para os rins. Coordenado no Brasil pela Sociedade Brasileira de Nefrologia, o Dia Mundial do Rim mobiliza milhares de ações no país – líder mundial em engajamento. Esse protagonismo nos orgulha, mas não nos acomoda.

A doença renal crônica afeta 1 em cada 10 pessoas. Mais de 20 milhões de brasileiros convivem com a doença – a maioria sem diagnóstico. Nas fases iniciais pode evoluir com poucos ou nenhum sintoma. Quando surgem sinais como inchaço, cansaço, redução do volume urinário ou falta de ar, o comprometimento muitas vezes já é avançado.

Hipertensão e diabetes respondem por cerca de 60% dos casos. Envelhecimento, obesidade, histórico familiar e doenças cardiovasculares também aumentam o risco. Aprendemos a acompanhar glicose e colesterol, mas ainda negligenciamos a creatinina. A dosagem de creatinina e o exame de urina permitem identificar alterações renais antes dos sintomas. São exames simples, disponíveis no SUS.

Em 2025, realizamos testagem de creatinina em 40 cidades brasileiras. Mais de 8 mil pessoas com fatores de risco foram avaliadas, e cerca de 3.300, que desconheciam ter doença renal, apresentaram alterações. O diagnóstico precoce pode evitar ou postergar terapias que substituem a função dos rins. Quando a doença evolui para falência renal, as alternativas passam a ser hemodiálise, diálise peritoneal ou transplante.

Mais de 170 mil brasileiros dependem de diálise para viver – a grande maioria (79%) no SUS. Entretanto, o setor enfrenta subfinanciamento que coloca em risco a sustentabilidade do cuidado.

Quando falamos em universalidade e integralidade – princípios do SUS – falamos de garantir acesso ao diagnóstico, tratamento e continuidade da assistência. Falamos também de sustentabilidade. O tema de 2026 nos convida a refletir sobre o impacto ambiental dos sistemas de saúde. A diálise que salva milhares de vidas consome grandes volumes de água, energia e insumos. Cuidar dos rins também significa reduzir impacto ambiental.

Celebrar o Dia Mundial do Rim é reconhecer avanços e assumir compromissos. Precisamos fortalecer a linha de cuidado da doença renal crônica, ampliar o acesso ao transplante renal, valorizar a diálise peritoneal e garantir financiamento adequado à diálise.

A doença renal crônica é silenciosa. Talvez por isso ainda seja invisível para alguns. Torná-la visível é nossa responsabilidade. No dia 12 de março, e sempre, fale sobre saúde renal. Tenha hábitos saudáveis, faça exame de urina e creatinina, converse com seu médico. Incentive familiares e amigos. E cobre políticas públicas que assegurem acesso, dignidade e sustentabilidade.

José A. Moura Neto, Presidente da Sociedade Brasileira de Nefrologia