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Da Redação
Publicado em 2 de fevereiro de 2014 às 03:28
- Atualizado há 3 anos
A cor está presente em nosso cotidiano. Cada vez mais, estudiosos apresentam teorias novas sobre a cor. Sejam em artes visuais, cidades, embalagens, supermercados, cenários, casas de shows e tudo que envolve o entretenimento, como o Carnaval, as festas de largo, as boates e o cotidiano do ser humano. Quanto mais sofisticadas as cidades, maior número de cores, sejam nos letreiros luminosos, sejam nas vitrinas, suas ruas. Elas influenciam o nosso psicológico tanto no fenômeno dia e noite, as estações do ano, nossas vestes e tudo que nos circunda. A cor é o milagre da luz na retina. Por causa de patologias, a retina pode estar em disfunção e a cor mudar seu aspecto original. Alguns cientistas acreditam que cada indivíduo enxerga sua própria cor, como nossa impressão digital, que é única. Outros do sol de cada região do planeta.>
A cor não tem realidade pertencente ou relativa à matéria. Ela existe pela ação da luz e o olho. Newton foi o precursor que buscava cientificamente explicar os fenômenos da cor. Muitos outros se seguiram: Leonardo da Vinci, Goeth, Le Blond, Helmholtz, Herschell, Roentgen, Paul Dirac, Huygens, Young, Fresnel, Max Planck, Maxwell, Hertz, Epicuro, Galileu, Olav Roemer, Foucault, Fizan, entre muitos.>
No Brasil, o estudo mais completo da matéria foi feito por Israel Pedrosa, em seu livro Da Cor a Cor Inexistente, lançado em 1977. Pedrosa é pintor, escritor, nascido no Alto Jequitibá, Minas Gerais, em 1926, formou-se na Escola Superior de Belas Artes de Paris. Seu livro é imprescindível para quem quer aprender sobre cores em todos os seus detalhes. Um best-seller para que se conheça e entenda as teorias básicas das cores. O livro aborda premissas e desenvolvimento da teoria das cores, óptica fisiológica, representação gráfica, tridimensionalidade e mensuração das cores, a natureza da cor e a sua ação psíquica, simbólica e mística, cores do impressionismo à arte abstrata, as cores no Brasil, elementos de harmonia e cor inexistente.>
Todos esses livros lidos, decorados, tornam um artista visual um bom colorista? Não, nunca. Faz-se um grande teórico, alguém que conhece cor - luz, cor - pigmento, matiz, croma, cor geratriz, cor complementar, quentes e frias, cor cambiante e cor inexistente. Em geral, o estudo e as teorias das cores não são tão objetivas. As harmonias são fenômenos subjetivos, dependem de frequências de ondas que são captadas pelo olho humano. Os animais veem as cores de forma diferente. >
As cores primárias são três: vermelho, verde e azul, a visão colorida é tricromática. O branco e o preto não são cores e sim a presença ou a ausência de luz. Os artistas visuais partem de três cores, ainda o preto e o branco para criar todo um universo de massas corantes existentes no planeta. Não é fácil criar uma vastidão de cores, partindo de três. As combinações de cores e seus ajustes, matizes, brilho, saturação, ainda tons, subtons criam possibilidades que surpreendem. Na realidade, os objetos não têm cor, ela corresponde a uma sensação interna provocada por estímulos físicos de múltiplas formas que dão origem à percepção da mesma cor por um ser humano. A cor é um fenômeno físico, produzido pela existência da luz, se essa não existisse, não existiriam cores.>
Embora existam muitos estudos sobre as cores, cursos, ninguém ensina a um artista ser um bom colorista, o que independe de cultura e formação acadêmica. A cor é usada em todas as técnicas das artes visuais, sendo mais presentes na pintura, mas também desenhos, gravuras, esculturas, fotografias, objetos e novas mídias. Vivemos imersos nas cores. Na pintura, não é o número de cores que define um bom colorista, bastam até duas cores usadas com sabedoria, bem ajustadas para que se consiga a verdadeira pintura. Muitas vezes, uma só cor, partindo-se de tonalidades mais baixas, para outras mais vibrantes, mais claras ou o inverso. Aí, a cor vibra nas nuances. O que torna um artista um grande colorista são valores pessoais, sua retina, sua inteligência visual, o constante experimentar, vocação para a cor, persistência e intuição. >