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Editorial
Publicado em 29 de agosto de 2025 às 05:00
A reunião ministerial convocada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), na última terça-feira, expôs, mais uma vez, a prioridade do chefe do Executivo: não os problemas urgentes do país, mas a manutenção de seu projeto político. >
O encontro, que deveria servir para discutir caminhos diante do tarifaço de Donald Trump, os juros altos e a escalada dos gastos públicos, transformou-se em palanque eleitoral. Em vez de apresentar soluções concretas, Lula preferiu lançar um novo slogan de governo, criticar adversários políticos e ensaiar o tom de campanha para 2026.>
O episódio é inaceitável. Um presidente que se diz preocupado com o povo não pode usar a estrutura do Estado para autopromoção política. Ao distribuir bonés com a frase “O Brasil é dos brasileiros” e divulgar materiais publicitários sobre as ditas realizações do governo, Lula demonstrou que seu foco está em pavimentar o caminho para mais quatro anos no poder, e não em oferecer respostas às dificuldades que afligem os brasileiros.>
A reunião foi palco para ataques a partidos e a adversários, mas não produziu medidas concretas contra o custo de vida que corrói o bolso da população. A insistência de Lula em transformar cada espaço institucional em palco de propaganda revela um vício antigo da política brasileira: a confusão entre governo e campanha. >
Ao priorizar a retórica e a autopromoção, o presidente transmite a mensagem de que o projeto de poder está acima da gestão do Estado. Essa postura enfraquece a confiança nas instituições e alimenta a percepção de que os interesses eleitorais se sobrepõem às necessidades reais da população.>
Ao se valer da máquina pública para fortalecer sua imagem, Lula não apenas desvia a atenção dos problemas reais como também rebaixa a função institucional de uma reunião ministerial. O país precisa de liderança responsável, capaz de enfrentar o descontrole fiscal, o endividamento crescente e o peso dos juros sobre a economia. Em vez disso, o que se viu foi a instrumentalização do governo para fins eleitorais.>