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O Brasil vai deixar a sua primeira escola médica cair?

O país que viu nascer sua medicina naquele prédio agora parece incapaz de garantir sua sobrevivência física

  • Foto do(a) author(a) Editorial
  • Editorial

Publicado em 20 de fevereiro de 2026 às 05:30

A cena é simbólica e constrangedora. Enquanto a Universidade Federal da Bahia celebra os 218 anos da sua histórica Faculdade de Medicina da Bahia, o prédio que abrigou o nascimento da ciência médica no país acumula fissuras, infiltrações, interdições e riscos estruturais.

Não se trata de um imóvel qualquer. Ali, no Terreiro de Jesus, foi criada, por ato de Dom João VI, em 18 de fevereiro de 1808, a Escola de Cirurgia da Bahia. A primeira do Brasil. O edifício atual, reconstruído em 1905 após incêndio, é obra de Teodoro Sampaio e Victor Dubrugas. Está tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional desde 2015 e integra o conjunto reconhecido pela Unesco como patrimônio mundial.

Mesmo assim, o Salão Nobre está fechado há mais de um ano. O anfiteatro foi interditado há uma década. A biblioteca acaba de ser fechada. Dois anexos estão em ruínas. O terceiro precisou ser desocupado às pressas.

A estimativa para recuperação varia entre R$ 70 milhões e R$ 100 milhões. A Ufba diz ter conseguido R$ 1 milhão para projetos executivos, com contrapartida de R$ 700 mil. É um passo técnico necessário, mas ainda distante da solução estrutural. A pergunta que se impõe é direta: o governo federal vai assistir à deterioração de um dos maiores símbolos da educação brasileira?

A Faculdade de Medicina não foi contemplada com recursos do Novo PAC. A justificativa é burocrática: o programa prioriza obras novas ou inacabadas, não reformas de prédios existentes. Mas desde quando o critério administrativo pode se sobrepor à preservação de um patrimônio nacional?

A restauração da Faculdade de Medicina da Bahia não é apenas uma demanda universitária. É uma questão de política pública. É um teste de compromisso com a memória, com a ciência e com a própria narrativa nacional.

O país que viu nascer sua medicina naquele prédio agora parece incapaz de garantir sua sobrevivência física. Trata-se de exigir prioridade. Patrimônio histórico não pode ser tratado como item acessório do orçamento.

A Faculdade de Medicina da Bahia resistiu a incêndios, mudanças de regime, transformações políticas e sociais profundas. Não pode sucumbir agora à indiferença administrativa.