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Quando o cerco afrouxa, o crime agradece

A Bahia tornou-se uma alternativa logística para organizações criminosas diante do cerco imposto por estados que endureceram a fiscalização em seus portos e aeroportos

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  • Editorial

Publicado em 30 de janeiro de 2026 às 05:00

Com o endurecimento da fiscalização no Rio de Janeiro e em São Paulo, as organizações criminosas passaram a buscar novos corredores logísticos para escoar drogas ao exterior. Nesse novo desenho do narcotráfico, a Bahia assumiu um papel cada vez mais preocupante. A lógica é simples: onde o Estado afrouxa, o crime se instala.

Os números não deixam margem para relativizações. Em 2025, cerca de 10 toneladas de drogas foram apreendidas no estado - um crescimento de 60% em relação ao ano anterior e o maior volume desde 2021. Só em dezembro, mais de 6,5 toneladas foram retiradas de circulação, o equivalente a quase 65% de tudo o que foi apreendido no ano. Trata-se de um salto que não pode ser explicado apenas por eficiência policial. Ele aponta para algo mais grave: maior circulação de entorpecentes em território baiano.

A Bahia tornou-se uma alternativa logística para organizações criminosas diante do cerco imposto por estados que endureceram a fiscalização em seus portos e aeroportos. Enquanto Rio e São Paulo apertaram o controle, a Bahia, de forma frouxa e desarticulada, passou a ser explorada como rota estratégica do tráfico internacional.

Esse movimento tem consequências diretas na vida dos baianos. O crescimento da circulação de drogas vem acompanhado do aumento da presença de armas e do fortalecimento das facções. Em 2025, foram apreendidas mais de 7,6 mil armas de fogo no estado. O maior número da série histórica. Drogas e armas caminham juntas. E ambas alimentam a escalada da violência que hoje coloca a Bahia entre os estados mais inseguros do país.

O governo petista insiste em apresentar os dados de apreensão como prova de eficiência. Mas essa narrativa ignora o ponto central: apreender mais não significa, necessariamente, que se está vencendo a guerra.

Investimentos anunciados em equipamentos e efetivo são necessários, mas insuficientes se não houver uma estratégia clara de bloqueio das rotas internacionais. O tráfico não escolhe a Bahia por acaso. Escolhe porque encontra brechas. E essas brechas são responsabilidade direta do Estado.

Ao permitir que a Bahia se consolide como corredor do tráfico internacional, o governo não apenas falha na segurança pública: compromete a imagem do estado, afasta investimentos, prejudica o turismo e condena a população a conviver com índices cada vez mais elevados de violência.