Em busca da imortalidade, humanos vão nocautear o câncer

Confira os principais destaques do noticiário nesta semana

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  • Da Redação

Publicado em 15 de abril de 2023 às 05:00

- Atualizado há 10 meses

. Crédito: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

Doença conhecida como o “o mal do século”, o câncer vitima milhões de pessoas todos anos. Nas últimas décadas, a ciência passou a conhecer mais sobre a enfermidade e diversas linhas de tratamento evoluíram, a ponto de hoje não ser mais uma sentença de morte quando detectada. Lembrando, quando mais cedo for descoberto o tumor, maior é a chance de cura.  Mas a vitória que até agora é por pontos, deve se transformar em nocaute em menos de sete rounds. A ciência segue evoluindo e até 2030 será lançada uma vacina contra o câncer. A previsão foi feita por Paulo Burton, diretor médico da farmacêutica americana Moderna. A empresa é uma das que estuda a tecnologia do RNA mensageiro (RNAm), usada para produzir os imunizantes mais eficazes contra a covid-19. A injeção da Moderna não foi aplicada no Brasil, que preferiu fazer acordo com Pfizer, cujas doses também trazem anos de pesquisa do RNA mensageiro realizados pelo laboratório alemão BioNTech. 

Moderna e BioNTech – cada uma em um lado do Atlântico – já realizavam análises com a tecnologia revolucionária para descobrir uma vacina capaz de prevenir diversas formas de câncer quando a pandemia de covid surgiu. Diante da emergência sanitária mundial, as duas farmacêuticas resolveram fazer uma curva no caminho que trilhavam e testar o uso do RNAm contra o novo coronavírus. Os testes indicaram a efetividade do tratamento e os dois laboratórios investiram nesse atalho para pôr fim à pandemia. Também americana, a Pfizer apoio as pesquisas da BioNTech e um acordo entre as duas empresas permitiu a produção em escala do imunizante que muitos dos nossos leitores tomaram. A injeção da Moderna foi aprovada e aplicada nos Estados Unidos, Europa e Canadá. 

Uma vacina feita com RNAm busca o mesmo objetivo de imunizantes feitos com outras tecnologias, criar anticorpos contra um vírus que ameaça a saúde humana.  A diferença é que os outros tipos de vacina inserem no organismo vírus atenuado ou morto (nos dois casos, incapazes de se reproduzirem e infectarem o organismo) em quantidade suficiente para acionar as defesas imunológicas humanas para, quando em contato com o vírus em condições naturais (capaz de se reproduzir) o corpo já estar preparado e com as defesas acionadas lutar e evitar infecções.  

Já a dose com o RNAm ensina as células do corpo a produzirem a sintetizarem proteínas que estimulam a resposta imunológica. As maiores vantagens deste tipo de vacina são, segundo os cientistas, eficiência, segurança e maior velocidade de produção. 

Muitos tipos de câncer têm em sua origem agentes infecciosos, como vírus e bactérias, a exemplo do Papiloma Vírus Humano (HPV), responsável pelo câncer do colo do útero, ânus e outras localizações. Já existe vacina contra o HPV, inclusive disponibilizada pelo SUS. Mas ela não é com RNAm.    Segundo especialistas na área, o combate à pandemia de covid fez com que 15 anos de progresso nos estudos do RNAm fossem acelerados em apenas um. "Teremos essas vacinas e elas serão altamente eficazes e salvarão muitas centenas de milhares, se não milhões, de vidas. Acredito que seremos capazes de oferecer vacinas personalizadas contra o câncer, contra vários tipos de tumores diferentes, para pessoas em todo o mundo — disse Burton ao jornal britânico The Guardian e reproduzida por O Globo na última segunda (10). "Teremos terapias baseadas em RNAm para doenças raras para as quais antes não havia medicamentos, e acredito que daqui a 10 anos estaremos nos aproximando de um mundo onde você realmente pode identificar a causa genética de uma doença e, com relativa simplicidade, removê-la e repará-la usando a tecnologia baseada em RNAm", seguiu.

No combate ao câncer - ao contrário do que aconteceu no caso da covid - as vacinas com RNAm não terão caráter preventivo (como a do HPV atual) e sim terapêutico. Não se fala em um medicamento universal, mas adaptado ao perfil genético de cada paciente. Os médicos devem fazer uma biópsia para coletar material genético específico do câncer, isolar as proteínas e, então, criar um imunizante personalizado. Para os cientistas da Moderna, existem evidências de que o RNAm pode ser aplicado a todos os tipos de áreas de doença; em câncer, doenças infecciosas, doenças cardiovasculares, doenças autoimunes, doenças raras. 

Ainda nessa semana, outra boa notícia nessa área veio da China, onde cientistas da Universidade de Fudan, em Xangai, desenvolveram uma nova e promissora técnica de tratamento do câncer de mama. Testada em camundongos, o tratamento curou o tumor em apenas duas semanas.  O experimento com a novidade fez parte de um trabalho recém-publicado na revista científica Science Advances.

A tecnologia consiste em uma bateria autocarregável que é implantada no tecido do tumor para consumir o oxigênio das células cancerígenas, um processo chamado de hipóxia. Com isso, as células tornam-se alvo de uma nova classe de medicamentos em desenvolvimento chamada pró-fármacos ativados pela hipóxia (HAPs, da sigla em inglês). Essas drogas, que ainda não foram aprovadas para uso clínico e também estão em testes, matam apenas o material privado de oxigênio, sem afetar o tecido saudável. Outros métodos para causar a hipóxia em células cancerígenas também são testados hoje, porém nenhum conseguiu criar condições favoráveis em um período de tempo tão curto, garantem os pesquisadores chineses.

Toda essa história envolvendo o combate ao câncer, mostra o potencial humano. E, por incrível que pareça, também serve de alerta contra retrocessos e negacionismos. A BioNTech foi fundada pelo casal de médicos Özlem Türeci e Ugur Sahin, ambos descendentes de imigrantes que trocaram a Turquia pela Alemanha em busca de uma vida melhor. Ali, apesar das dificuldades, encontraram condições favoráveis para estudar e desenvolverem suas aptidões, beneficiando toda a humanidade. Se o discurso xenofóbico, preconceituoso e intolerante vigorasse a ponto de impedir a presença de imigrantes em busca de melhores condições de vida, a humanidade poderia agora não estar dando esse grande salto.

meme da semana O ministro da Fazenda virou alvo após dizer que não conhece a Shein, pois só faz compra eletrônica na Amazon, "um livro por semana". A declaração foi feita depois de o governo anunciar a cobrança de impostos para compras abaixo de US$ 50 em varejistas chinesas.

Ocupar, sair e deixar tudo como antes. Isso é política de segurança?

Nesta semana, Salvador foi mais vez assustada por notícias sobe os efeitos da guerra de facções pelo controle territorial para o tráfico e drogas. A frente de batalha voltou para vias e becos dos bairros do Arenoso, Tancredo Neves e Sussuarana. Um homem – apontado como líder de uma das quadrilhas – foi esquartejado, explosivos e cápsulas de balas de vários calibres foram encontrados nas ruas. Ônibus queimados, alunos sem escolas, comércio funcionado parcialmente. Moradores sem dormir, acordados pelo medo e pelos sons de tiros de fuzis e metralhadoras. 

Diante da repercussão causada por fotos, vídeos e depoimentos dos moradores pela imprensa e redes sociais, a Secretaria de Segurança iniciou mais operação para varrer a areia da praia: muito trabalho e pouco resultado (quando conhecido pois nem sempre é divulgado balanço com número de presos, armas e drogas apreendidas, etc.).  É o mesmo modus operandi já testado com ineficiência em outros bairros – e antes nesses mesmos – sempre que os bandidos passam do que parece ser um limite de tolerância das autoridades. É quando uma operação policial é montada, o espaço é ocupado por um úmero maior de policiais e, depois de alguns dias, todo esse aparato simplesmente some, é transferido para outro local com madrugadas violentas, e o bairro em questão, mais uma vez, volta ao cotidiano de insegurança e dominado e dividido pelas facções.    

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