Paula Theotônio

Montevidéu e seus encantos para além dos vinhos

Conheça os encantos da capital uruguaia e veja dicas do que fazer por lá

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Publicado em 6 de abril de 2024 às 16:00

Montevidéu Crédito: Paula Theotônio

Acho que nenhuma viagem está completa se, em um determinado momento, você não se questiona se moraria naquele lugar. Quando estive com meu companheiro no Uruguai, no início de março, a pergunta veio logo no trajeto do aeroporto para Montevidéu. Comentamos sobre a beleza do país e Pablo, o motorista de carro de aplicativo, tomou para si o papel do mais simpático dos guias de turismo, mostrando, de sorriso aberto, cada local que deveríamos visitar nos próximos dias.

Sorriso esse que permaneceu ao descrever, orgulhosamente, a estabilidade econômica do país, a política sem polarização e a qualidade dos serviços de educação e saúde pública, tão conhecidos e até invejados por nós, brasileiros. “Calma, Paula. Desvenda primeiro, decide depois”, pensei rindo comigo mesma.

Ao longo dos próximos seis dias, pude constatar que Montevidéu, que disputa com Buenos Aires não apenas a nacionalidade de Carlos Gardel como o título de capital mais europeia da América Latina, é especialmente charmosa. Vi que a simpatia e a gentileza não eram algo só do Pablo, como de quase todas as pessoas que conhecemos, do hotel às vinícolas.

Plana e amplamente arborizada, tem um ar vintage com suas construções antigas, sebos, livrarias e lojas de vinil a cada esquina. Os dias não têm pressa de começar; e o setor de alimentos tem rotinas bem distintas das brasileiras. As cafeterias e padarias abrem às 8h30 da manhã; e muitos restaurantes costumam fechar às segundas e terças. A feira Tristán Narvaja, que acontece aos domingos há mais de 100 anos e ocupa vários quarteirões do bairro Cordón, começa às 9h. Ninguém soube me explicar o porquê, tão arraigada é a cultura de se ter qualidade de vida.

Por outro lado, não é uma cidade muito barata; e isso vai exigir do viajante algum jogo de cintura para não gastar mais do que deve ou pode. Curtir um pôr do sol nas ramblas enquanto curte a brisa do Rio da Prata; passear por parques, onde costumam acontecer feirinhas de gastronomia e música ao vivo; a inclusão de restaurantes com menus executivos no roteiro e a visita a museus tornam a viagem mais interessante e, claro, menos dispendiosa. Ah, e tire o olhar da tela do celular. A arquitetura do país é um espetáculo que merece ser contemplado com toda atenção.

Os vinhos, curiosamente, costumam ter um preço próximo ao cobrado no Brasil entre as marcas mais famosas e isso acontece até mesmo nos supermercados. E há muito mais do que a Tannat para desvendar, mas isso é assunto para a próxima coluna.

No caminho de volta para o Aeroporto de Carrasco, o motorista da vez me fez lembrar da pergunta que surgiu logo em meu primeiro dia na cidade. Sim, claro que moraria! Me encantó muchísimo. Ao final da corrida, Fernando Fabian se despediu com uma frase que foi repetida por quase todas as pessoas que me atenderam: “Que lo pasen lindo!”. Foi lindo sim, Fernando!

Além de vinho, o que não pode faltar no roteiro por Montevidéu?

Feira de Tristán Narvaja (Bairro Cordón) Se você vai passar um domingo em Montevidéu, não existe outra programação a ser feita. A Tristán Narvaja tem de tudo, de comida a antiguidades; e os locais fazem as compras de hortifruti da semana por ali mesmo. Acorde no seu tempo, coloque uma roupa confortável e já tome café da manhã em alguma das panaderías ou food trucks da rua. Passe pelas livrarias e sebos e depois siga para o El Império Bar y Anti- cuário. O espaço alternativo abre SOMENTE aos domingos e tem uma decoração tão incrível quanto peculiar; além de um rooftop com parrilla que vale super a ida;

Visita aos Parques Rodó & Villa Biarritz (Bairro Punta Carretas) Separe tempo para visitar esses parques, pois eles fazem parte do dia-a-dia do uruguaio. Aos finais de semana acontecem feirinhas de gastronomia; que trazem opções de lanches gostosos, variados e com excelente custo-benefício. O Rodó tem uma área com brinquedos, lago com pedalinho, fotogaleria a céu aberto e nas suas imediações tem o Museu Nacional de Artes Visuais;

Para bebericar: Bar Oriundo & Vermutería Flores O nome já diz a que veio. Oriundo (Dr. Pablo de María 1013) é um bar de vinhos que vende, em garrafas e biqueiras, somente rótulos uruguaios. A carta das biqueiras tem 13 opções - por preços entre 230 e 840 pesos - e um vermute. A Vermutería Flores, por sua vez, se especializa na venda dos seus vermutes próprios, elaborados com vinho uruguaio, botânicos e flores. Meu preferido foi o rosé de tannat, mas o branco de blbariño e o tinto também são muito bons;

Ir a uma milonga ou tango Se você nunca viu um tango com dança, a dica é ir aos locais que oferecem Cena Show (como Primuseum e El Milongón); e que envolvem ainda jantar harmonizado com carnes e vinhos locais. Se você já viu a dança e quer ver somente um show, o mais indicado é o El Callejón ou Baar Fun Fun. Dica: vá jantar em outro local caso escolha o Callejón, pois infelizmente a cozinha e os vinhos deixam a desejar;

Fazer o roteiro completo da Ciudad Vieja Comece o dia cedo, tomando um café acompanhado de uma deliciosa medialuna no El Palácio del Café. Tire uma foto no Portal da Cidadela, construção remanescente de uma enorme muralha levantada ao longo de 40 anos. Em seguida, visite o Museu Torres García, que reúne a obra de um dos mais res- peitados artistas uruguaios. O almoço deve ser SIM no Mercado del Puerto e minha escolha foi a Cabana Verónica, que me serviu gratuitamente mini do- ses de medio y medio (um vi- nho frisante doce) enquanto eu me deliciava com chorizo e boniato (batata doce) assada e caramelizada. Pela tarde você pode curtir cafeterias históri- cas, como La Farmacia Café, ou seguir consumindo cultura no Museu dos Andes e o Museu de Arte Pré-colombiana e Indígena. À noite, claro, é hora de Teatro Solis.

Principais dúvidas de quem vai a Montevidéu

Levo dinheiro ou cartão? Troque um pouco de real por pesos uruguaios para situações específicas, mas comprar com cartão é melhor. Quem viaja do início do verão até meados do outono conta com isenção do IVA, um imposto similar ao ISS e o IPI, gerando descontos de até 22% no pagamento de hospedagens, restaurantes e no aluguel de automóveis. O abatimento na conta acontece somente quando o pagamento é feito com cartões de débito, crédito ou pré-pagos internacionais. Outra opção válida é pagar com pix, que já é aceito em cerca de 500 estabelecimentos do país;

Alugo carro ou pego Uber? Antes de mais nada, a CNH brasileira é válida no Uruguai. Vale alugar um automóvel caso você vá percorrer distâncias mais longas e quando não houver consumo de álcool, pois a tolerância é zero no país. Uber é ideal para distâncias mais curtas. Para quem irá se deslocar para vinícolas, o ideal é contratar transfers locais ou motoristas particulares;

Como funciona a telefonia? Algumas companhias de telefonia móvel, como a Vivo, têm boas condições de roaming e o sinal pega bem até mesmo em estradas. Caso prefira trocar por chip local, é possível pegar gratuitamente no aeroporto um da Antel, operadora com excelente cobertura no país, e colocar créditos para usar durante a viagem;

Onde se hospedar? Os me- lhores bairros para ficar são os mais próximos à Orla, como Palermo, Punta Carretas e Pocitos; onde há boa movimentação noturna. Nossa escolha foi o ibis Montevideo Rambla; que foi recém reformado e fica de frente para o Rio da Prata. Perto dele fica o Club del Pan, padaria artesanal charmosíssima com a melhor medialuna da cidade;

Precisa de seguro viagem? Não é mais obrigatório, mas é recomendável em qualquer viagem.