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Paula Theotonio
Publicado em 1 de fevereiro de 2026 às 08:00
Presente nas principais festas deste verão, o divertido aperitivo espumante Chandon Garden Spritz tem a assinatura da argentina Ana Paula Bartolucci, que se tornou a primeira chef de cave (ou enóloga-chefe) mulher da Chandon Argentina. >
Obstinada e com um olhar especial para a inovação, inspirou-se no paladar argentino, mais acostumado a bebidas mais amargas, para criar o coquetel pronto para beber. “Sempre gostei da ideia de desenhar produtos. Ver o que o terroir nos dá, o que podemos fazer na adega e o que o criar a partir do que o consumidor está buscando”, conta a profissional. >
Foram pelo menos 64 testes de diferentes misturas e intensidades, inúmeras degustações até mesmo com amigos e familiares, até chegar na bebida final: um espumante com corte de chardonnay, pinot noir e semillon de vinhedos em Mendoza; com cerca de 1,47% de um bitter artesanal de casca de laranjas 100% orgânicas, ervas e especiarias. O suficiente para garantir um excelente equilíbrio entre acidez, doçura, amargor e frescor. >
Garden Spritz, ainda com nome local Chandon Apéritif, foi lançado em 2019 na Argentina. É, atualmente, o terceiro produto mais vendido da vinícola, atrás apenas do Chandon Extra Brut, lançado em 1960, e do Délice Branco, de 2012, feito para beber com gelo.>
O sucesso foi tamanho que se tornou a primeira garrafa das unidades Chandon a extrapolar as fronteiras de seu país de origem, inaugurando uma linha chamada Free Spirit — a qual reúne bebidas com propostas mais disruptivas e que ampliam a experiência do espumante em nível mundial. Hoje Garden Spritz está presente em toda a América Latina (no Brasil desde o início de 2025), Estados Unidos, Austrália e diversos países da Europa.>
Neste bate-papo, Ana Paula Bartolucci compartilha mais sobre sua trajetória, a construção do Garden Spritz e sua visão para o futuro da Chandon Argentina. O produto está disponível em casas como RedeMix, em Salvador, e poderá ser degustado em ações especiais pelos restaurantes Pedra do Mar, Rooftop 27, Buteco do França ao longo de fevereiro (confira programação ao final da matéria). >
Como começou sua história com Chandon?>
Quando surgiu uma vaga na Chandon Argentina, em Mendoza, eu ainda achava que ia trabalhar somente com vinhos tranquilos. Até ali nunca tinha feito uma borbulha. Eu me candidatei, e éramos cerca de 400 pessoas para a mesma vaga. Foi um processo longo, de uns seis meses, com várias entrevistas. Quando entrei, fui direto para a área de inovações e comecei a trabalhar com o Onofre Arcos, que foi chef de cave da Chandon por mais de 45 anos. E isso foi muito especial, porque tinha essa fusão entre a tradição que ele representava, com toda a história e o legado, e alguém mais jovem, como eu, para colocar mais energia e agregar inovação. Ele sempre foi muito aberto às ideias, e sem o apoio dele, talvez não teríamos criado projetos como o Garden Spritz.>
E uma coisa que me marcou muito no começo foi a rotina: todos os dias, às 11 da manhã, eu sentava com o Onofre para degustar vinhos base, que são totalmente diferentes dos vinhos tranquilos, percebendo todas as sutilezas, o quão delicados e o quão elegantes são. Fui aos poucos aprendendo o que hoje em dia também é algo que eu adoro no mundo das borbulhas: toda essa coisa da espera e da paciência, a arte do assemblage. É construir, é ver de que maneira você potencializa as variedades que está elaborando, e ter toda essa paciência e essa espera do tempo sobre as leveduras, que é o que também vai fazer com que todo o produto que você está desenhando se revele.>
O Garden Spritz foi seu primeiro projeto na Chandon?>
Sim. Quando eu entrei para fazer esse trabalho, disseram: “Bom, tem um produto que você vai assumir, a gente precisa descobrir por onde ir, não sabemos ainda”. E, naquele momento, eu tinha 26, 27 anos, e pensei: “O que as pessoas estão bebendo?”. Naquele momento, houve um boom de marcas de bitters e entendi que no consumo, tinha em comum o uso do gelo e um cítrico. Como fazemos para incluir espumante nisso? E foi aí que começamos as pesquisas, provando os cítricos, diferentes origens e variedades e trilhando o caminho. Chegamos a provar 64 propostas ao longo dos 4 anos de desenvolvimento do produto. É uma história de paciência, mas também uma história de Chandon, porque tínhamos que chegar a um produto que desafiava os limites, o tradicional, mas tinha que ter a qualidade da marca. >
Em 2023, quatro anos após o lançamento de Garden Spritz e dois após ele ter ganhado o mundo, você foi promovida a Chef de Cave e foi a primeira mulher a ocupar esse cargo. O que essa atuação significa pra você?>
Obviamente tem todo um peso de ser mulher, jovem; uma responsabilidade de seguir com esse legado. É pensar em todos os produtos, nas suas personalidades, no porquê de fazer isso, no porquê sim, no porquê não, em como continuar cuidando da qualidade. É algo muito bonito, mas também uma responsabilidade enorme. E, sinceramente, eu adoro desafios, tenho muita energia, adoro me envolver, fazer, falar. A minha personalidade faz com que eu leve isso, sim, como um desafio, mas que eu também aproveite muito. >
Ser a primeira mulher Chef de Cave da Chandon Argentina é uma mudança grande [de paradigma]. E é uma mudança porque a própria história nos leva a isso. Ainda existe caminho pela frente, claro, mas já estamos, de certa forma, desfrutando o que as anteriores fizeram. Houve uma geração anterior, com Susana Balbo, Estela Perinetti, muitas mulheres que abriram o caminho e que hoje permitem que a gente esteja à frente de vinícolas importantes.>
Tem alguma mulher que te inspirou em sua jornada? >
Tenho sempre super presente uma enóloga que se chama Gabriela García, que trabalhava comigo numa vinícola do Valle de Uco, onde elaborávamos tintos de alta gama. E, de verdade, ela me ensinou muita coisa. Isso foi antes da Chandon, mas ela me passou muito essa ideia do cuidado com o detalhe.>
Como sua personalidade se expressa através de produtos tão distintos do portfólio da vinícola, como o clássico Chef de Cave Chardonnay e o inovador Garden Spritz?>
O Chef de Cave Chardonnay, por exemplo, escolho o Chardonnay que seja mais característico, seu tempo sobre as leveduras, e vamos avaliando ao longo do tempo. É uma proposta mais tradicional, dentro dos parâmetros que conhecemos. Eu o relaciono, de alguma maneira, com o fato de eu ter crescido numa família tradicional, e isso é parte da minha vida também.>
Mas também tenho todo esse outro lado, de colocar uma faísca de energia, o que mais dá para fazer, que se reflete no Garden Spritz e toda essa parte da criação, de sair do molde, de combinar coisas diferentes, e também da curiosidade. E aí volta de novo isso da arte do assemblage, de criar. Então de mim, tem toda essa parte de energia, de movimento, do descobrir, de não se entediar, de seguir além.>
Com esse olhar de inovação, como você pensa a Chandon daqui pra frente, principalmente em face das mudanças que estão acontecendo no mercado?>
Tem algo que com certeza vamos continuar fazendo: seguir inovando e escutando o consumidor. Não apenas lançando produtos novos, mas também com nossos produtos que já têm a sua história: ver se o consumidor escolhe, se não escolhe, por quê... Todos os nossos produtos são como diamantes que a gente vai lapidando para sempre. Ou seja, é como se a perfeição não existisse, porque ela está sempre um pouco mais adiante. Então é seguir buscando isso, seguir oferecendo a melhor qualidade para os consumidores. >
Há outros free spirit, como Garden Spritz, em desenvolvimento?>
Estamos trabalhando nisso. O mundo das inovações acabou abrindo uma porta para que muitas outras se abrissem. Então é seguir investigando. Olha, por exemplo: sair para correr na montanha é algo que me fascina, e te juro que é muito louco, porque estou super atenta às cores, às coisas. De repente paro e penso: “o que será essa plantinha e o que dá pra fazermos com ela?” Temos esse mindset na equipe. Então, nesse sentido, com certeza vamos para esse lado. E é algo que a gente ama fazer.>