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Publicado em 18 de março de 2026 às 06:00
Quase 40 mil cirurgias para retirada parcial ou total de rim foram realizadas no Brasil na última década por causa de câncer. O número ajuda a dimensionar o avanço de uma doença que tem crescido de forma consistente nos últimos anos e reflete mudanças importantes no perfil de saúde da população. Embora represente cerca de 3% das neoplasias do trato urinário, o câncer de rim está associado a fatores como o envelhecimento, o tabagismo, a obesidade e a hipertensão. >
No mês em que se celebra o Dia Mundial do Rim, comemorado em 12 de março, esse cenário reforça a necessidade de ampliar a atenção à saúde renal. As projeções da Organização Mundial da Saúde indicam que a incidência do câncer renal deve crescer cerca de 79,8% na América Latina até 2050. No Brasil, a estimativa segue praticamente o mesmo ritmo, com aumento de 79,5% no número de casos no mesmo período.>
Os dados nacionais já demonstram sinais claros dessa tendência. Estatísticas do Ministério da Saúde indicam que, entre 2015 e 2025, foram realizadas 38.887 nefrectomias no país, cirurgias para retirada parcial ou total do rim em casos de câncer. O número anual de procedimentos passou de 2.529 em 2015 para 5.158 em 2025, crescimento de aproximadamente 104%. Na Bahia, o aumento foi ainda mais expressivo. No mesmo período, foram realizadas 817 cirurgias, com crescimento de 43 para 137 procedimentos anuais, alta de cerca de 219%.>
Os dados de mortalidade também revelam a dimensão do problema. Informações do Ministério da Saúde apontam que o país registrou 37.145 mortes por câncer de rim entre 2015 e 2024. O número anual de óbitos passou de 3.172 para 4.579. Na Bahia, foram contabilizadas 1.394 mortes no mesmo intervalo, com crescimento de 117 para 165 registros anuais.>
Um dos principais desafios no enfrentamento da doença é que o câncer renal costuma evoluir de forma silenciosa e muitas vezes é identificado incidentalmente em exames de imagem. Quando diagnosticado precocemente, no entanto, as chances de tratamento curativo são elevadas.>
A boa notícia é que o tratamento cirúrgico do câncer renal evoluiu de forma significativa nos últimos anos. Técnicas minimamente invasivas, como a laparoscopia e principalmente a cirurgia robótica, hoje considerada padrão-ouro para esse tipo de procedimento, permitem maior precisão, menor agressão ao organismo e recuperação mais rápida. Além disso, a tecnologia tem ampliado a possibilidade de preservar o rim, retirando apenas a área comprometida pelo tumor. Com esses avanços, as nefrectomias têm se tornado cada vez mais frequentes e, em muitos centros especializados, já superam as retiradas totais do rim.>
Ampliar o acesso a essas tecnologias é hoje um dos grandes desafios da urologia oncológica. A expansão da cirurgia robótica, especialmente na rede pública, pode representar um avanço importante na qualidade do tratamento oferecido aos pacientes. Em um cenário de envelhecimento populacional e aumento das doenças crônicas, investir em diagnóstico precoce e em tecnologia cirúrgica é também investir em qualidade de vida e preservação da função renal.>
Lucas Batista é Cirurgião robótico, Chefe do Serviço de Urologia da Universidade Federal da Bahia e Chefe do Serviço de Urologia do Hospital Cardio Pulmonar>