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Pombo Correio
Publicado em 23 de janeiro de 2026 às 05:30
Legado >
A repentina morte do deputado Alan Sanches (União Brasil), aos 58 anos, deixou a classe política e a sociedade baiana consternada em estado de perplexidade. Médico de formação, era reconhecido pelo trabalho social que mantinha há mais de duas décadas atendendo a pacientes de comunidades vulneráveis, principalmente em Salvador e no Recôncavo. Na política, foi um homem de posições firmes, sem jamais perder a cordialidade, inclusive com adversários. Sonhava ser deputado federal. Deixa um legado.>
Decisão antecipada>
Os movimentos do senador Jaques Wagner (PT) para antecipar o anúncio da chapa governista “puro-sangue” para as eleições deste ano têm como pano de fundo três fatores principais. O primeiro e talvez o principal deles é conter de vez qualquer articulação ou especulação em torno de uma possível candidatura do ministro Rui Costa (PT) ao governo substituindo o governador Jerônimo Rodrigues (PT). Embora negue publicamente, Rui não esconde sua insatisfação contra Jerônimo e nos bastidores, inclusive, tem feito críticas à gestão do aliado em rodas de conversas reservadas, chegando a dizer que o mau desempenho de Jerônimo é um fator que pode levar à derrota do grupo petista no pleito de outubro. O segundo fator é que Wagner quer sepultar de vez a possibilidade de candidatura à reeleição do senador Angelo Coronel (PSD) na chapa governista, pois avalia que a indefinição beneficia o pessedista e “sangra” o PT. O terceiro fator é a pressão que os pupilos de Wagner têm feito para que o anúncio seja logo feito por temerem o retorno de Rui.>
Comemoração velada>
O fato é que aliados de Rui Costa na Bahia estão celebrando as especulações de que o ministro pode ser candidato a governador. Nesta semana, alguns deles, chegaram a procurar parlamentares para incentivar a conversa. Enquanto isso, os pupilos de Wagner não escondem a irritação. Já o entorno de Jerônimo, contudo, tem convicção de que o governador irá disputar a reeleição e dizem que a possibilidade de Rui ser candidato é um desejo apenas do próprio ministro de Lula.>
Fogo amigo>
Prefeitos da base governista suspeitam serem vítimas do famoso “fogo amigo” quando discordam da articulação política do governador Jerônimo Rodrigues (PT), hoje capitaneada pelo secretário de Relações Institucionais, Adolpho Loyola (PT). Diz um deles que sua gestão estaria sendo alvo de denúncias na imprensa a partir da influência de forças governistas, em razão dele não ter seguido a cartilha da articulação de Ondina. Se a suspeita se confirmar, a estratégia de constranger aliados tem poder de corroer o grupo.>
Por falar em prefeitos, a classe anda de orelha em pé com uma proposta que começou a ganhar corpo dentro do governo no sentido de firmar convênios com os consórcios públicos a fim de transferir a eles a execução de obras que, na origem, seriam de responsabilidade direta do estado. Pelo modelo, o governo apenas repassaria os recursos, enquanto o conjunto de prefeitos daquela determinada região assumiria o desafio de tirar efetivamente a obra do papel, enfrentando todas as agruras a que uma obra pública está passível. Para os gestores, o desenho soa como uma espécie de armadilha, porque livra a imagem eleitoral do governador - cuja fama de prometer e não cumprir já corre por toda a Bahia - e coloca um alvo sobre eles, caso a obra não saia do papel.>
Amigo da onça>
Um episódio recente ajuda a ilustrar essa desconfiança. Um prefeito do interior foi procurado pelo governador Jerônimo pedindo ajuda para concluir uma escola licitada ainda no final do governo Rui Costa e que segue empacada até hoje. A ideia era firmar uma parceria para, com o suporte do município, finalmente entregar o empreendimento. A proposta, todavia, não foi bem recebida, afinal de contas o gestor estaria atraindo para si o desgaste político de algo que nasceu e travou sob responsabilidade do estado. É a parceria de amigo da onça.>
Birro>
Dizem que a passagem do governador por Rio de Contas no Réveillon deste ano serviu para, além de comemorar, reparar os estragos causados por um dos seus principais secretários com uma liderança importante da Chapada. Enrolado por duas vezes, o líder local trocou duras mensagens com o auxiliar de Jerônimo, sugerindo que ele fosse a lugares impublicáveis. Coube ao governador minimizar o dano.>
Língua solta>
O prefeito de Camaçari, Luiz Caetano (PT), parece andar com muito tempo livre, tanto que nesta semana resolveu gastar energia para atacar adversários políticos que nem são da cidade. Talvez seja para tirar o foco do baixo desempenho do petista na gestão, que vem sendo muito criticada pela população e até mesmo por aliados políticos, que acusam Caetano de não cumprir o que prometeu em relação aos espaços. Vários integrantes da base andam reclamando nos bastidores da ingratidão de Caetano e de sua dedicação apenas às eleições deste ano para eleger seus candidatos.>
Revés>
A tão aguardada inauguração da nova Rodoviária de Salvador, entregue cinco anos após ser anunciada e com pelo menos dois anos de atraso, acabou virando um revés para o governo do estado. Seja por problemas básicos na operação, como escadas rolantes sem funcionar, seja pela exclusão dos ambulantes que trabalhavam no antigo terminal, Jerônimo viu aquilo que era para ser um grande chamariz publicitário se transformar em uma vitrine de problemas logo na largada. Ainda sem definição, os ambulantes passaram a fazer protestos em Salvador cobrando atenção direta do governador.>
Violência>
O humorista baiano Daniel Ferreira responderá na Justiça a apologia que fez à morte de apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Nas redes sociais, usando uma adaptação da série televisiva Carga Pesada, ele estimulou atropelar com um caminhão integrantes da direita que estão em caminhada num ato político em rodovias federais. Depois da repercussão negativa, Ferreira apagou a publicação. O episódio faz lembrar o dia em que o governador Jerônimo propôs usar uma retroescavadeira para colocar adversários políticos numa vala. Estranho é que essa turma dizia defender a democracia.>