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O calote de Jerônimo nos aposentados, a mensagem viral e a nova fuga de responsabilidade

Leia a coluna na íntegra

  • Foto do(a) author(a) Pombo Correio
  • Pombo Correio

Publicado em 6 de março de 2026 às 05:00

Governador Jerônimo Rodrigues
Governador Jerônimo Rodrigues Crédito: Joa Souza/GOVBA

Uma decisão judicial recente começou a desmontar o que servidores aposentados classificam como um calote silencioso do governo Jerônimo. Em 2023, quando o governador concedeu reajuste de 20% aos ocupantes de cargos comissionados, o aumento deveria, por lei, alcançar também quem se aposentou com estabilidade econômica (aqueles que deixaram a ativa com o direito de manter a remuneração equivalente ao cargo que exerciam). O benefício, porém, simplesmente não foi estendido. Três anos depois, após um périplo no Judiciário, alguns servidores aposentados finalmente conseguiram decisão favorável obrigando o Estado a aplicar o reajuste. O caso abriu caminho para outros processos e já é tratado como jurisprudência contra o calote. Muitos, inclusive, nem haviam percebido que ficaram de fora do aumento e só tomaram conhecimento do prejuízo por meio de colegas. Agora, a Justiça começa a obrigar o governo a cumprir aquilo que a própria lei já determinava.

Viralizou

Tal como orientava a mensagem “manda viralizar” encaminhada pelo vice-governador Geraldo Júnior (MDB) a um grupo de WhatsApp, o assunto realmente viralizou, mas com o tiro saindo pela culatra. Em vez de atingir o ministro da Casa Civil, Rui Costa (PT), o que se espalhou foi o próprio escorregão político do emedebista. O estrago foi tamanho que Geraldo correu aos microfones de uma rádio em Salvador para explicar que tudo não passou de um “equívoco tecnológico”. Mas o pedido público de desculpas ao ministro teve mais potencial de virar chacota do que reverter o estrago. A leitura da classe política é que Geraldinho assinou uma espécie de demissão por justa causa. Petistas que já haviam soltado sua mão de Geraldo na campanha para a prefeitura de Salvador em 2024 voltaram a enfatizar que o aliado é mais um peso do que um parceiro.

Motivo perfeito

O “manda viralizar” do vice-governador acabou entregando de bandeja exatamente o que Rui precisava para avançar na ambição de rifar o MDB e apresentar um nome do Avante para a vice. Rui, a propósito, já estava em pé de guerra com a cúpula emedebista depois de tirar da nominata do partido alguns nomes e realocá-los em outras siglas da base, especialmente no Avante, legenda sobre a qual mantém forte influência. A derrapada de Geraldo no WhatsApp acabou virando a cereja do bolo e reforçou o argumento de que o MDB não seria mais um aliado confiável para compor a chapa.

Pense num absurdo...

O governo do estado ensaiou jogar na conta da Prefeitura de Salvador o imbróglio envolvendo o antigo centro de convenções, abandonado há dez anos pelas gestões petistas de Rui e Jerônimo. Isso tudo por causa de um terreno da prefeitura, que o Estado buscava fazer uma gambiarra no cartório para incorporar o imóvel e conseguir leiloar a área. A Justiça, naturalmente, barrou a gambiarra do governo, mas, em menos de uma semana, a prefeitura viabilizou um acordo para garantir que o estado consiga leiloar a área. O engraçado é que após dez anos de promessas de novo equipamento, demolição e tantas outras, o governo decidiu, tanto tempo depois, leiloar a área.

Sem tempo

Prefeitos que se preparam para assinar convênios com o governo do Estado começam a ouvir um alerta recorrente nos bastidores: a obra prometida dificilmente sairá do papel no prazo combinado. Muitos gestores já fazem as contas considerando o tempo do processo burocrático, desde o aviso de licitação à escolha da empresa e à ordem de serviço, e concluem que o calendário simplesmente não fecha. Qualquer promessa feita agora esbarra em um elemento crucial: o tempo. Na classe política, a leitura é que o governo até pode garantir os recursos, mas já não dispõe do prazo necessário para transformar o dinheiro em obra. “O governador passou três anos viajando e agora quer resolver tudo de uma vez. Está perdido nos próprios processos da gestão”, resumiu um interlocutor.

Promessa de classe

O alerta de que a promessa não será cumprida vem da experiência recente. Desde 2022, dezenas de convênios firmados na boca da eleição seguem se arrastando em sucessivos termos aditivos. Quem puxa a fila é o presidente da União dos Municípios da Bahia (UPB), Wilson Cardoso, prefeito de Andaraí, que tem um convênio que já chegou ao nono termo aditivo sem conclusão objetiva. Situação semelhante ocorre em Ibicuí, que acumula seis aditivos, e em Teofilândia, onde o mesmo tipo de convênio firmado naquele ano já está no quinto. Todos nasceram na mesma temporada eleitoral que elegeu Jerônimo, prometendo mundos e fundos. Na prática, viraram um retrato de como o tempo da política raramente combina com o tempo das obras.

Banho de água fria

A nova pesquisa eleitoral na Bahia, realizada pelo instituto Séculus e divulgada pelo Bahia Notícias, irritou tanto a base governista que a cúpula petista ativou sua artilharia para descredibilizar o resultado. Mas, conforme fontes do governo, o que mais irritou foi que os dados, que apontam uma vantagem de 17 pontos do ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União Brasil) sobre Jerônimo, são muito similares aos números que a cúpula petista tem nos seus levantamentos para consumo interno. "Eles bateram muito porque sabem que o cenário é exatamente esse", disse um parlamentar da base, sob anonimato.

Destino incerto

Os deputados estaduais do PP que decidiram apoiar o governo estão apreensivos com o início da janela partidária. Por enquanto, ainda não há sinal do destinado dos parlamentares, visto que partidos da base governista estão fechando as portas, como o Avante. Além disso, uma eventual mudança deles em bloco para o mesmo partido naufragou completamente e alguns já até pensam em seguir no PP.

Constrangimento

O governador Jerônimo Rodrigues andou se queixando com o prefeito de Itapetinga, Eduardo Hagge (MDB), após um evento realizado na cidade com público muito abaixo do esperado. O petista não escondeu a chateação e chegou a comentar com aliados sobre o evento esvaziado na cidade de Eduardo. O climão ficou ainda maior quando, na mesma viagem, Jerônimo foi a Itarantim, onde o prefeito Fábio Gomes (PSD) tratou de dizer que por lá havia "dez vezes mais pessoas do que em Itapetinga". O constrangimento foi geral.