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O gabinete do ódio institucional do PT, o novo meme de Jerônimo e as noites traiçoeiras

Leia a coluna na íntegra

  • Foto do(a) author(a) Pombo Correio
  • Pombo Correio

Publicado em 2 de janeiro de 2026 às 05:00

Piso tátil não leva a lugar nenhum e vira meme nas redes sociais
Piso tátil não leva a lugar nenhum e vira meme nas redes sociais Crédito: Wuiga Rubini/GOVBA

Gabinete do ódio institucional

No discurso, o PT adora condenar a guerra de narrativas mentirosas e a disseminação de fake news. Mas, parafraseando o ditado, na prática, a teoria petista é outra. A novidade mais recente, que passou quase despercebida, foi o lançamento do “Manual de Apoio aos Influenciadores e Ativistas Digitais”, que, na prática, institucionaliza o chamado gabinete do ódio, dedicado a difamar e atacar adversários políticos. O partido diz que o objetivo é “promover uma comunicação coordenada em defesa da verdade e da democracia” e que “vai oferecer orientação e segurança jurídica a quem atua na comunicação política nas redes”. No mundo real, o que o PT está dizendo é: podem abrir a caixa de ferramentas de maldades contra os adversários que terão proteção institucional do partido.

Inspiração

O tal manual foi anunciado pelo secretário de Comunicação Nacional do PT, Éden Valadares, que foi presidente do partido na Bahia. Nos bastidores da política baiana, quem acompanhou o lançamento do documento, já chama Éden de “Carlos Bolsonaro baiano”.

Ele não para

A fábrica de memes do governador Jerônimo Rodrigues (PT) parece ter entrado em um ritmo cada vez mais intenso. Dessa vez a nova pérola veio de Vitória da Conquista, onde ele foi entregar a obra de duplicação de uma avenida. O clima de festa deu lugar a um fato inusitado: o piso tátil no canteiro central da via, destinado a pessoas com deficiência visual, termina em uma área de grama, próximo a um poste instalado no local. Isso mesmo: o piso tátil acaba, literalmente, no meio do nada. E pasmem: tudo isso foi publicado nas redes sociais do governador. “Dá uma olhada. Iluminação de qualidade. Olha aqui. Esse piso aqui é tátil para pessoas com deficiência”, celebrou o governador, que virou piada. A imagem viralizou em todo o país, tomando as redes sociais e veículos de imprensa.

Gastão

Isolado politicamente e tratado hoje como carta fora do baralho da chapa majoritária de 2026, o vice-governador Geraldo Júnior vai terminar sua passagem no cargo deixando a fama de gastão: em apenas três anos, seu gabinete já consumiu R$ 27 milhões, mais que o dobro de todo o quadriênio anterior. Na gestão do ex-vice João Leão a despesa não passou de R$ 12 milhões. O detalhe é que, diferente de Geraldo, o antecessor exercia funções executivas relevantes no governo em pelo menos duas secretarias - Planejamento e Desenvolvimento Econômico. Mesmo assim, sem muita produtividade, o emedebista fez a média anual saltar de R$ 3 milhões para R$ 9 milhões.

Dois pesos, duas medidas

Volta e meia setores ligados ao PT fazem críticas à exclusividade de cervejarias durante eventos em Salvador, como ocorreu no Festival Virada da capital baiana, num modelo muito bem sucedido e copiado em todo o país. Contudo, os críticos parecem sofrer de uma amnésia seletiva, visto que devem ter esquecido que em Camaçari, cidade comandada pelo petista Luiz Caetano, foi adotado o mesmo modelo de exclusividade de uma cervejaria no São João. O PT precisa decidir se o modelo é ruim ou bom, porque senão a crítica vai parecer politicagem barata.

Noites traiçoeiras

A novela do possível rompimento do senador Angelo Coronel com o núcleo do PT da Bahia tem sido um entretenimento à parte para a política local, com direito a trilha sonora e tudo. Ao lado da esposa e dos filhos deputados Angelo Filho (estadual) e Diego Coronel (federal), o senador voltou a soltar a voz no karaokê nas festas de final de ano e deixou no ar uma melodia carregada de recados subliminares. A canção da vez foi “Noites Traiçoeiras”, numa performance que ninguém sabe dizer se foi apenas uma indireta à ambição do PT de montar uma chapa puro-sangue ou se ele também anda enfrentando suas próprias noites traiçoeiras dentro do PSD. Fato é que Coronel tem repetido aos mais próximos que, como promete a música, vai terminar 2026 sorrindo.

Fidelidade

Por falar na queda de braço Coronel x PT, há quem diga que a ponte queimou de vez e ficou difícil imaginar que os mesmos petistas que o atacam abertamente nas redes sociais pedirá voto para ele em 2026. Dito isso, tanto o núcleo do PT quanto o próprio Coronel intensificaram sondagens para medir a fidelidade eleitoral dos prefeitos da base aliada em caso real de rompimento. O cenário de apoio avulso a Coronel, como muitos já declararam, é um balde de água fria nos planos da chapa puro-sangue, a ponto de comprometer a reeleição do governador Jerônimo Rodrigues. De perfil municipalista, Coronel caiu nas graças dos gestores ao destinar emendas que caem direto nas prefeituras e resolvem problemas e viabilizam obras que seguem empacadas nas promessas do governador.

Cobrança

A Assembleia Legislativa da Bahia fechou o ano com um balanço indigesto até para aliados do governo. Dos poucos mais de 60 projetos enviados pelo Executivo, 58 tramitaram em regime de urgência, às pressas, sem explicação, sem debate técnico nas comissões, sem nada. Desses, 23 foram pedidos de empréstimos, somando R$ 27 bilhões ao longo de três anos. Apesar de terem autorizado a contratação antecipada de receitas, os parlamentares demoram a ver esses recursos se transformarem em obras concretas nas suas bases, o que eleva a cobrança de lideranças e começa a rachar seus arranjos eleitorais. E precisam lidar ainda com perguntas incômodas sobre o que foi feito com tanto dinheiro se as obras simplesmente não saem do papel - e o pior, não há previsão se sairão.

Mimo e guerra

O governador Jerônimo resolveu fazer um mimo ao ex-prefeito de Cícero Dantas, Ricardo Almeida, nomeando o aliado para um cargo na Casa Civil, com atuação na Secretaria de Relações Institucionais, bem na véspera do Natal. O problema é que o presente gerou um efeito colateral desastroso e agora institucionalizou a disputa regional ferrenha que existe entre Almeida e o deputado federal Ricardo Maia (MDB), que também integra a base governista. Em 2024, os dois trocaram “gentilezas” impublicáveis na corrida municipal, inclusive com farpas que respingaram à época no próprio Jerônimo. O que se diz na região é que o governador embaralhou de vez o tabuleiro para 26.