Victor Uchôa: pra não ter que chamar o Samu

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Publicado em 24 de outubro de 2015 às 02:39

- Atualizado há 10 meses

Aprende-se muito nas areias de Itapuã. Dia desses, por exemplo, no meio da resenha da bola, entrou na roda a festa de inauguração da orla reformada. “Rapaaaaz, tem Duas Medidas!”, disse um em tom vibrante. O amigo, porém, não pareceu comovido. “E toca o que isso aí?”, perguntou com algum desdém. Um terceiro, exaltado, se intrometeu: “Oxe, nunca ouviu na rádio não é, vei? Toca aquela música: Glicose”.

Mesmo com a nova informação, aquele que não conhecia a banda manteve a expressão de não saber do que se tratava, o que, confesso, foi confortante pra mim. Podia ficar feio ser o único a nunca ter ouvido um acorde sequer da tal Glicose. Em casa, recorri ao Google para ser apresentado a esta poesia de rimas tão preciosas: “Glicose! Glicose, por favor, glicose! Eu bebi, eu chorei, eu sorri, chamei Raul / Eu misturei coca com rum / Por favor, chame o Samu”. Como se vê, aprende-se muito nas areias de Itapuã.

Corta pra bola. “Rapaaaz, outro dia o Bahia tava lenhado, diz que tinha 30% de chance de subir. Agora já tá com sessenta e cacetada. Que conta maluca é essa?”, observou o amante da Glicose. “Ô, fiu, se ganhou duas seguidas. Você queria o quê?”, ponderou o mais quieto. “E aquela testada de Kieza?! Quase no fim, ó pra isso, chega me arrepio”, completou o primeiro, esfregando o antebraço.   

Nisso, um rubro-negro começou a vislumbrar o futuro próximo: “Ganho do CRB, ganho do Náutico e já foi. Depois daí é só lata heeein, dinho!”. Um Baêa então veio de lá: “Não abra os olhos não, sacana! CRB é arrumado, tomou dois do Bahia, empatou e só perdeu no fim. Cagada da porra ali!”. Outro Vitória pediu a palavra: “Tá tudo certo já. Botafogo perdeu do Ceará, vai desandar de vez”.

Fala daqui, rebate dali, percentuais subindo e descendo, a conversa ainda vai longe, mas o dever chama e, infelizmente, tenho que deixar as areias de Itapuã. Agora, lembrando da resenha, deixo um pedido meio óbvio, mas necessário: até garantir o acesso, bem que Bahia e Vitória podiam resolver as partidas sem sofrimento no final, né não?

Quer ver um negócio? Conheço um cara que quase teve um custipiu em casa após o gol de Kieza. Por sorte, não foi preciso chamar o Samu. Agora, caro leitor ou bela leitora, imagine isso até o fim da Série B. Quem tem coração sensível é capaz de não aguentar. E o pior de tudo: na hora que a coisa inchar, ainda tem que disputar as ambulâncias com o pessoal da Glicose.

INFESTAÇÃOLi em algum site que uma gaúcha de 60 anos, torcedora do Grêmio, foi agredida por gremistas que não gostaram de ver uma bandeira do Inter numa passeata pelo Outubro Rosa. A idosa caminhava junto ao grupo Consulado Colorado e, só por isso, voltou pra casa com seis pontos abaixo do olho.

Há alguns dias, escrevi aqui sobre o comportamento de torcedores do Bahia que queriam expulsar rubro-negros dos camarotes da Fonte Nova. Após este episódio no Rio Grande do Sul - e vendo as marcas no rosto da idosa -, peço licença para republicar um pedaço daquele texto: “Há idiotas de todas as matizes. A idiotia toma a sociedade de assalto, aparece na TV, uiva no meio da rua, atualiza as redes sociais, briga por mais espaço, pode andar de farda e ser eleita pelo povo. A idiotia discursa bonito pela ética e pela moral, mas incorre em delito na primeira oportunidade. A idiotia não tem vergonha, fala grosso, acha que pode resolver tudo na força e se gaba cada vez que vemos um idiota sendo idiota e ficamos calados. A idiotia quer sempre mais. Ela quer te pegar. Proteja-se. A idiotia desconhece limites”.