Victor Uchôa: Tudo certo para dar errado

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Publicado em 27 de fevereiro de 2016 às 05:00

- Atualizado há 10 meses

A Confederação Brasileira de Futebol (CBF), também conhecida como “o Brasil que deu certo” (royalties para Carlos Alberto Parreira), publicou nesta semana um levantamento sobre a situação dos jogadores de futebol no país. Há de se elogiar o trabalho, especialmente porque, frente aos dados, temos a plena certeza de que “o Brasil que deu certo” não ajuda em nada o futebol brasileiro, o que seria sua função essencial. Em resumo: os números da CBF são mais uma prova de que “o Brasil que deu certo” é todo errado.De acordo com a entidade, em 2015 havia 28.203 jogadores profissionais de futebol registrados no Brasil. Destes, 23.238 ganham um salário que não chega a R$ 1 mil. O número equivale a 82,4% do total, demonstrando que aquilo que vemos todo dia nas TVs, sites e jornais, com jogadores nadando em dinheiro, “ganhando fortunas e tratados como odaliscas” (royalties para Millôr Fernandes), não passa de um recorte cirúrgico da realidade.É razoável imaginar que, em boa parte das profissões, os melhores sempre vão ganhar salários mais elevados, mas a diferença no nosso universo da bola expõe a absoluta precariedade da maioria dos clubes brasileiros, todos sob o guarda-chuva de uma confederação e de federações estaduais que só servem ao proveito dos seus dirigentes. Os campeonatos estaduais são cada vez menos atrativos, o calendário não ajuda os clubes pequenos e uma multidão de atletas inicia as temporadas sem saber até quando terão salário.  Enquanto isso, o presidente da CBF, que nunca fez um gol na vida e jamais derramou qualquer gota de suor em campo, embolsa cerca de R$ 200 mil por mês (fora os ganhos não contabilizados, claro). Nas federações estaduais, além dos salários, os presidentes recebem uma mesada de R$ 61 mil da CBF, que podem gastar ao bel-prazer.Neste momento, a CBF tem um interino na cadeira da presidência, o chefe oficial foi indiciado nos Estados Unidos pelo FBI, um ex-presidente idem e outro ex-presidente estão em prisão domiciliar após passar meses no xilindró. Ainda assim, seus apadrinhados continuam ditando o futuro do nosso futebol e os grandes clubes, que têm poder para, unidos, mudarem esta lamentável realidade, não movem uma palha - afinal, seus jogadores estão entre o 0,8% que ganha algo entre R$ 50 mil e R$ 500 mil.Nesta toada, “O Brasil que deu certo” tem alguma chance de dar certo? Só se for para os cartolas.Final de fevereiro Ali pelo meio de janeiro, entrei em contato com a assessoria da Secretaria do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte (Setre) e fui informado de que, “no final de fevereiro”, seria enfim inaugurado o Centro Olímpico de Natação da Bahia, cuja obra, é sempre bom enfatizar, começou no já distante ano de 2011. Publiquei aqui a informação da assessoria, mas o final de fevereiro chegou e a inauguração não saiu - e olhe que fevereiro este ano ainda é maiorzinho, com um dia a mais de lambuja. Ontem à tarde, foi divulgado mais um empurrãozinho na previsão. Agora, o novo prazo é  “até final de março”.No mês passado, a ideia da Setre era realizar um evento com “atletas de porte internacional” da natação, do polo aquático e do nado sincronizado, mas nenhum nome havia sido confirmado. A única coisa certa mesmo é que, quando o dia da inauguração finalmente chegar, o público vai ficar em arquibancadas móveis e os atletas utilizarão vestiários montados em contêineres, já que após cinco anos de obra, as arquibancadas e os vestiários definitivos sequer começaram a ser construídos.Pode até parecer piada, mas não tem graça nenhuma.*Victor Uchôa é jornalista e escreve aos sábados.