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Juliana Rodrigues
Publicado em 28 de abril de 2026 às 09:00
Quase metade dos brasileiros (45%) buscou fontes de renda alternativa nos últimos meses para driblar a perda do poder de compra, revela o Datafolha. O dado sinaliza uma mudança estrutural; o "bico" deixou de ser eventual para se tornar estratégia de sobrevivência mesmo para quem tem emprego fixo. >
Os maiores erros da classe média ao lidar com dinheiro
Essa pressão financeira redesenha o mercado de trabalho, transformando o esforço extra na única via para fechar as contas do mês. >
A busca pelo dinheiro extra não escolhe necessariamente um setor, mas o levantamento aponta que a pressão é maior nas classes C, D e E. Entre os principais motores dessa movimentação, destacam-se: >
A criatividade do brasileiro reflete-se na diversidade das fontes de receita. A pesquisa e analistas do setor indicam que as principais frentes são: >
Vendas diretas: de cosméticos a alimentos preparados em casa (marmitas, doces e bolos).>
Serviços digitais: gestão de redes sociais, design gráfico e aulas particulares via internet.>
Logística e transporte: motoristas e entregadores por aplicativo continuam sendo o porto seguro do trabalho intermitente. >
Desapego: a venda de itens usados em marketplaces de segunda mão ganhou força como uma entrada pontual de caixa. >
Apesar da queda no desemprego, Fabio Bentes, da CNC (Confederação Nacional de Comércio de Bens, Serviços e Turismo), afirma que a busca por renda extra reflete a baixa qualidade dos salários. >
Para o economista, o fenômeno é um sintoma direto de um mercado aquecido, mas que oferece remunerações baixas. >
Fabio Bentes
EconomistaOs dados do Datafolha indicam que o emprego formal já não garante o equilíbrio do orçamento doméstico sozinho. A busca por rendas extras revela um desafio estrutural; o descompasso entre a ocupação da mão de obra e salários que cubram o custo de vida essencial da população. >