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Ansiedade: qual a saída para o ‘modo alerta’ das equipes?

A gestão de riscos psicossociais e segurança psicológica são fundamentais para evitar prejuízos sociais e econômicos

  • Foto do(a) author(a) Carmen Vasconcelos
  • Carmen Vasconcelos

Publicado em 2 de março de 2026 às 06:30

Metas irreais e liderança tóxica ampliam crise de ansiedade no ambiente corporativo
Metas irreais e liderança tóxica ampliam crise de ansiedade no ambiente corporativo Crédito: Shutterstock

O calendário corporativo de 2026 começa com um alerta vermelho nos departamentos de Recursos Humanos (RH) de todo o país, com reflexos diretos na Bahia.

Após um 2025 marcado por números alarmantes — mais de 166 mil afastamentos por ansiedade no Brasil, um salto de 15% em relação ao ano anterior —, a pauta do bem-estar deixou de ser um "mimo" para se tornar questão de sobrevivência financeira e jurídica para as organizações.

Para especialistas, o desafio agora é identificar o "modo ansiedade" das equipes antes que o problema chegue ao consultório médico ou aos tribunais.

"A ansiedade custa caro, mesmo quando não aparece imediatamente nos relatórios. Ela se manifesta no dia a dia: tudo vira urgente, as pessoas ficam irritadas, a comunicação perde clareza e o retrabalho aumenta", explica Vanessa Lamego de Almeida, gerente de RH da Vetor Editora. Além dos afastamentos formais, as empresas enfrentam um inimigo invisível: o presenteísmo.

"A comunicação perde clareza e o retrabalho aumenta", explica Vanessa Lamego de Almeida, gerente de RH da Vetor Editora Crédito: Divulgação

Presenteísmo

Um estudo conduzido pela Vittude em 2025 revelou que 32% dos colaboradores operam nesse estado — estão fisicamente no trabalho, mas com perda severa de foco e fadiga cognitiva.

"A companhia paga salários e encargos, mas não captura a produtividade porque a pessoa está operando no limite", pontua Tatiana Pimenta, CEO da Vittude.

Tatiana Pimenta destaca que 32% dos colaboradores operam no estado de ansiedade e estão fisicamente no trabalho, mas com perda severa de foco e fadiga cognitiva
Tatiana Pimenta destaca que 32% dos colaboradores operam no estado de ansiedade e estão fisicamente no trabalho, mas com perda severa de foco e fadiga cognitiva Crédito: NICOLAS SIEGMANN

Essa queda de rendimento muitas vezes sobrecarrega quem ainda está saudável, gerando um efeito dominó de adoecimento.

Na Bahia, o impacto é sentido na sinistralidade dos planos de saúde e no aumento de microatestados (inferiores a 15 dias), que não entram nas contas do INSS, mas desorganizam a operação.

Se a cultura da empresa foca apenas em "semanas de saúde mental" enquanto mantém metas irreais, o efeito pode ser o oposto do desejado. Juliana Camargo, diretora de Gente & Cultura da Funcional, defende que a saúde mental deve ser ancorada em dados reais e rituais permanentes.

Juliana Camargo reforça a nevessidade de políticas organizacionais efetivas para garantir o enfrentamento da queda de produtividade em virtude da ansiedade
Juliana Camargo reforça a nevessidade de políticas organizacionais efetivas para garantir o enfrentamento da queda de produtividade em virtude da ansiedade Crédito: Divulgação

"O comportamento da liderança é o principal determinante de saúde. Ambientes com metas agressivas, sem autonomia e com medo de errar, são gatilhos diretos para transtornos", afirma.

Segurança psicológica

Para mudar esse cenário, o RH tem priorizado treinamentos que desenvolvam a autogestão emocional dos líderes e a chamada "segurança psicológica".

Segundo Tatiana Pimenta, isso não significa ser "fofinho" ou abdicar da cobrança. "Segurança psicológica significa que é possível falar, aprender e errar sem sofrer retaliação. A cobrança continua, mas deve ser respeitosa e clara.

O olhar do RH também precisou se tornar mais sensível às diferenças. Grupos minorizados, por exemplo, carregam uma carga emocional extra para provar seu valor, o que exige políticas de proteção específicas.

"Tratar todos de forma 'igual' nem sempre é justo; às vezes, é preciso tratar de forma consciente", alerta Vanessa Lamego.

No modelo híbrido, muito comum nas grandes capitais como Salvador, os sinais de alerta mudaram. O monitoramento agora passa pela "telemetria do trabalho saudável" — observando horários de mensagens e volume de reuniões — mas sem abrir mão da presencialidade intencional.

"Estar próximo permite perceber sinais sutis, como mudanças de energia, que não aparecem nas telas", defende Juliana Camargo.

Summit NR-1

Em abril, o debate sobre a gestão de riscos psicossociais ganhará um novo capítulo com o Summit NR-1, promovido pela Vetor Editora | Giunti Psychometrics.

O evento focará na atualização da Norma Regulamentadora 01, que agora exige que as empresas gerenciem os riscos psicossociais com o mesmo rigor dos riscos físicos sob risco de penalidades.

A iniciativa foi desenhada para tirar a saúde mental do campo do discurso e trazê-la para o campo da gestão prática. Ele foca em como o RH e as lideranças podem construir ambientes psicologicamente seguros, atendendo às novas exigências legais e garantindo a sustentabilidade do negócio.

Voltada para diretores de RH, gestores de Saúde Ocupacional, C-Levels, profissionais de segurança do trabalho e psicólogos organizacionais, a atividade contará com transmissão. As inscrições e a programação completa podem ser acessadas pelo portal oficial de eventos da editora(Link: www.vetoreditora.com.br/summit-nr1).

RH Preventivo

Mapeamento Periódico Substituir o "achismo" por diagnósticos populacionais validados.

Educação em Saúde Letramento para líderes entenderem o que é, de fato, saúde mental.

Benefícios Estruturados Telepsicologia e dias de descompressão só funcionam se houver governança clínica e se o colaborador não tiver medo de ser julgado ao usá-los.

O que fazer ao identificar esses sinais?

Reequilíbrio de Carga Não espere o diagnóstico clínico. Se os sinais apareceram, redistribua tarefas e repactue prazos imediatamente.

Escuta Ativa Use as reuniões individuais para perguntar: "Como está a sua carga de trabalho hoje?" e "O que posso fazer para diminuir a sua pressão esta semana?".

Segurança Psicológica Garanta que o colaborador saiba que pedir ajuda ou admitir sobrecarga não resultará em punição ou impacto na carreira.

Encaminhamento Clínico Se notar sofrimento agudo, direcione o colaborador para os programas de apoio psicológico ou telepsicologia da empresa

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Empregos Saúde no Trabalho