Acesse sua conta
Ainda não é assinante?
Ao continuar, você concorda com a nossa Política de Privacidade
ou
Entre com o Google
Alterar senha
Preencha os campos abaixo, e clique em "Confirma alteração" para confirmar a mudança.
Recuperar senha
Preencha o campo abaixo com seu email.

Já tem uma conta? Entre
Alterar senha
Preencha os campos abaixo, e clique em "Confirma alteração" para confirmar a mudança.
Dados não encontrados!
Você ainda não é nosso assinante!
Mas é facil resolver isso, clique abaixo e veja como fazer parte da comunidade Correio *
ASSINE

Carreira sem “pifar”: como crescer no trabalho sem perder a saúde mental

Afastamentos pelo INSS cresceram 143% em um ano; especialistas explicam como traçar metas sustentáveis para avançar sem o peso do burnout

  • Foto do(a) author(a) Carmen Vasconcelos
  • Carmen Vasconcelos

Publicado em 2 de fevereiro de 2026 às 06:00

Se o sucesso nunca parece suficiente, é sinal de que a sua régua está alta demais para a sua saúde
Se o sucesso nunca parece suficiente, é sinal de que a sua régua está alta demais para a sua saúde Crédito: Shutterstock

Se você sente que o ritmo do trabalho em 2026 está mais acelerado do que o habitual, os números mostram que você não está sozinho. Em Salvador e em todo o país, a busca pela eficiência máxima está cobrando um preço alto: a saúde da mente.

Dados recentes do INSS revelam um salto alarmante de 143% nos afastamentos por transtornos mentais.

Na capital baiana, onde o mercado se divide entre a pressão dos grandes centros corporativos e a correria do setor de serviços, 87% dos profissionais admitem sentir sobrecarga. Mas será que é possível subir na carreira sem "pifar" no meio do caminho?

Especialistas ouvidos pelo Correio afirmam que sim, mas o segredo não está em trabalhar mais, e sim em trabalhar com mais intenção e limites.

Metas “adoecedoras”

Muitas vezes, o esgotamento começa no papel, antes mesmo do expediente. Segundo Rennan Vilar, diretor de Pessoas e Cultura do Grupo TODOS Internacional, o erro clássico é traçar objetivos baseados no medo de perder espaço. "Quando a meta não considera o contexto e o momento de vida da pessoa, ela deixa de ser um estímulo e passa a ser um fator de adoecimento", alerta Vilar.

Para quem vive a realidade soteropolitana, onde a instabilidade econômica pode gerar insegurança, a tendência é dizer "sim" para tudo. No entanto, Vilar reforça que metas saudáveis oferecem margem para ajuste.

Se o sucesso nunca parece suficiente, é sinal de que a sua régua está alta demais para a sua saúde.

A discussão sobre bem-estar ganhou uma nova camada este ano: a saúde cognitiva. Clara Cecchini, especialista em inovação, explica que o problema não é apenas a exaustão emocional, mas a forma como usamos nossa capacidade de decidir.

"Não se trata de silenciar o cérebro, mas de acioná-lo com mais intenção", explica Clara. Em ambientes onde tudo é urgente, passamos a decidir no modo automático, o que fragmenta a concentração e drena a energia subjetiva.

Falha na conversa

Muitas vezes, o peso que o trabalhador carrega nas costas vem de uma comunicação truncada. Vivian Rio Stella, doutora em Linguística, destaca que o desgaste emocional nasce da falta de clareza. Para quem lidera equipes em Salvador, a dica é objetividade: "Priorizar mensagens com prazos e expectativas claros reduz o peso emocional do time", afirma.

Patricia Ansarah, CEO do Instituto Internacional de Segurança Psicológica, reforça que a eficiência das máquinas subiu, mas os limites humanos continuam os mesmos. "A exaustão mental é um risco organizacional. Times cansados não criam, apenas repetem processos", pontua.

Em meio à aceleração constante do mercado de trabalho, a mente muitas vezes entra em um modo de sobrevivência silencioso, emitindo sinais de alerta que costumam ser confundidos com "dedicação", mas que, na verdade, apontam para o esgotamento. O primeiro desses sintomas é a prevalência das decisões automáticas. Quando você para de refletir sobre o que está fazendo e passa apenas a reagir mecanicamente às demandas, o propósito se perde. Esse piloto automático é um mecanismo de defesa do cérebro para poupar energia, mas ele elimina a criatividade e a consciência sobre a própria trajetória profissional.

Somado a isso, surge o que podemos chamar de silêncio perigoso. Ele se manifesta através de falhas de comunicação e mensagens ambíguas que, por não serem esclarecidas, geram um desgaste contínuo. Quando o diálogo franco é substituído por entrelinhas ou pela omissão, a energia que deveria ser gasta na execução de projetos é drenada para a gestão de conflitos invisíveis e inseguranças. É um ciclo onde o que não é dito pesa muito mais do que o trabalho realizado.

Por fim, talvez o sinal mais perverso de que o limite foi ultrapassado seja a culpa no descanso. Em uma cultura que glamouriza a ocupação ininterrupta, a sensação de que parar para almoçar ou dormir é "perder tempo" torna-se uma armadilha mental constante. Quando as necessidades básicas do corpo são vistas como obstáculos à produtividade, a relação com a carreira tornou-se tóxica. Reconhecer esses sinais não é um sinal de fraqueza, mas o primeiro passo estratégico para retomar as rédeas da saúde mental e, consequentemente, da própria performance.

Avançar com equilíbrio em 2026

Revise suas metas por trimestre Não espere o final do ano para ver se o plano ainda faz sentido. O contexto muda, e seu plano também deve mudar.

Aprenda o "Não" estratégico Se o custo emocional de uma nova tarefa é alto demais, renegocie prazos.

Qualifique sua comunicação Peça clareza aos seus gestores. O que é prioridade de verdade?

Desconecte-se com intenção O descanso não é prêmio por bater meta, é necessidade fisiológica para a produtividade.

Valorize os pequenos ganhos Não foque apenas no cargo final; celebre os aprendizados do processo.

Tags:

Empregos Saúde no Trabalho