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Carmen Vasconcelos
Publicado em 9 de março de 2026 às 06:30
O crescimento de uma organização é frequentemente creditado a planos de negócios robustos ou inovações tecnológicas. No entanto, análises de longo prazo revelam uma realidade mais pragmática: o sucesso sustentável é moldado pelas decisões sobre pessoas. >
Contratar mal não é apenas um contratempo administrativo; é um erro estratégico que drena o caixa, corrói a cultura e compromete a liderança.O impacto financeiro de uma contratação equivocada pode atingir 150% do salário anual do profissional.>
O montante, que parece alarmante, justifica-se pelo "efeito cascata" de custos invisíveis. >
Daniel Monteiro, fundador da Yellow.rec, e Cleusa Toledo, CHRO da Idea Maker, convergem ao apontar que o prejuízo vai muito além das taxas rescisórias e custos de nova busca.>
Os prejuízos de uma contratação equivocada manifestam-se, inicialmente, por meio do custo de vacância, onde a sobrecarga das equipes para suprir a ausência de um profissional degrada a qualidade dos processos e gera atrasos críticos em entregas. Esse cenário evolui para uma ruptura estratégica, especialmente em setores intensivos em conhecimento, como a tecnologia, nos quais a perda de um talento interrompe o fluxo de inteligência acumulada e compromete a velocidade de decisão da companhia. >
Por fim, o impacto no clima organizacional torna-se evidente quando perfis desalinhados ou tóxicos são admitidos, desencadeando um ciclo de desmotivação que eleva tanto o absenteísmo quanto o presenteísmo — o fenômeno em que o colaborador está fisicamente no posto, mas com a produtividade e a mente ausentes.>
Futuro terceirizado>
Com 81% das empresas brasileiras relatando dificuldades para encontrar profissionais qualificados, a urgência tornou-se uma armadilha comum. Monteiro adverte que contratar sem critérios claros, movido pela pressa da reposição, é "terceirizar o futuro ao acaso".>
Para Cleusa Toledo, a solução não reside na velocidade, mas no Employer Branding e no planejamento contínuo. "A pressa não acelera o resultado; ela antecipa o risco", afirma a executiva. >
Organizações maduras substituem o recrutamento reativo por relacionamentos constantes com o mercado, reduzindo a pressão por escolhas precipitadas que resultam no fenômeno de "querer o Batman pelo preço do Robin" — expectativas irreais que o mercado não sustenta.>
A cultura organizacional não reside nos quadros na parede, mas nos comportamentos legitimados diariamente. Uma única contratação tóxica em cargo de liderança pode desmantelar anos de construção cultural.>
Um dos grandes obstáculos para a eficiência organizacional reside no vício da afinidade, prática em que líderes privilegiam a conveniência pessoal em detrimento da complementaridade profissional, resultando na formação de times excessivamente homogêneos. >
Essa ausência de diversidade de pensamento atrofia a capacidade crítica da equipe e, consequentemente, limita o potencial de inovação do negócio. Somado a isso, emerge a responsabilidade direta da liderança sobre os índices de rotatividade: o turnover é, em grande medida, um indicador de falhas na gestão. >
Afinal, se o líder não possui a competência necessária para integrar ou desenvolver o novo talento, mesmo o processo seletivo mais rigoroso e perfeito do mercado estará inevitavelmente fadado ao fracasso.>
Líder de mercado>
Uma mudança de mentalidade essencial para a maturidade organizacional é deixar de contratar para preencher um "cargo" (lista de tarefas) e passar a contratar para resolver um "problema" (entrega de soluções).>
Em um cenário de transformação digital acelerada e evolução da Inteligência Artificial, a qualidade das decisões sobre "gente" hoje definirá quem será líder de mercado em 2031. >
A vantagem competitiva não residirá apenas na tecnologia, mas na capacidade de manter equipes estáveis, engajadas e tecnicamente potentes.>
Como resume Daniel Monteiro: "Empresas maduras não contratam para preencher vagas, contratam para sustentar decisões de longo prazo". >
Em última análise, a consistência dos resultados é o subproduto de ter as pessoas certas, escolhidas pelos motivos certos.>
Maturidade Corporativa>
ABORDAGEM OPERACIONAL O Foco: Preencher uma lacuna imediata. A vaga é vista apenas como um "cargo" e uma lista de tarefas a serem cumpridas.>
O Critério: Baseado em checklists superficiais de currículos e palavras-chave técnicas.>
O Gatilho: A urgência. Contrata-se quem está disponível mais rápido ou quem aceita o menor salário.>
O Risco: "Terceirizar o futuro ao acaso". Gera equipes homogêneas e vulneráveis à rotatividade precoce.>
ABORDAGEM ESTRATÉGICA O Foco: Resolver um desafio de negócio. A contratação visa sustentar a estratégia da empresa nos próximos anos.>
O Critério: Alinhamento cultural rigoroso e histórico comprovado de resultados em cenários semelhantes.>
O Gatilho: O planejamento. A empresa investe em Employer Branding para atrair talentos antes mesmo da vaga abrir.>
O Resultado: Previsibilidade de execução. Pessoas certas tornam-se ativos competitivos>