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Matheus Marques
Publicado em 16 de março de 2026 às 06:17
O governo federal entrou em 2026 com uma estratégia de "mão dupla": desonerar o salário e o ele chama de humanizar a jornada de trabalho. A sanção da nova tabela do Imposto de Renda cumpre uma promessa simbólica de campanha, isentando quem ganha até R$ 5 mil e promovendo uma redistribuição de renda que promete injetar bilhões no consumo das famílias. >
Fim da escala 6X1 e isenção de IR
O conceito de "taxar o andar de cima" saiu do discurso e virou lei. A proposta estabelece uma alíquota mínima para rendas anuais acima de R$ 600 mil (R$ 50 mil por mês), garantindo recursos para compensar a isenção da classe média de renda mais baixa. A ideia é que esse dinheiro adicional não vire poupança, mas se transforme em consumo no comércio local, fazendo a roda da economia girar mais rápido em regiões onde o setor de serviços é o principal motor do emprego.
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O debate sobre o fim da escala 6x1 também ganhou o centro do palco. A proposta de reduzir a jornada para 40 horas semanais, originalmente apresentada pela deputada Erika Hilton no Congresso, passou a ser defendida pelo governo, que tenta capitalizar uma demanda por qualidade de vida que atravessa gerações, especialmente em ano eleitoral. O desafio será encontrar o equilíbrio: evitar que o aumento dos custos trabalhistas pressione a inflação e acabe anulando os ganhos reais da isenção do Imposto de Renda. Para os empresários, a mudança levanta preocupações com a reorganização das escalas, possível necessidade de contratar mais funcionários e aumento da folha de pagamento, sobretudo em setores intensivos em mão de obra, como comércio e serviços. O trunfo político para 2026 seria entregar um cidadão com mais tempo para a família e algum saldo extra na conta, enquanto as empresas tentam ajustar a conta dessa nova jornada.
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