Número de dívidas aumenta 8,43% no Nordeste, aponta pesquisa

Os dados foram obtidos por meio da pesquisa realizada pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL)

Publicado em 16 de fevereiro de 2016 às 07:31

- Atualizado há um ano

Inflação de dois dígitos, alto índice de desemprego e taxas de juros nas nuvens. O cenário negativo da economia se refletiu no aumento da inadimplência, que foi 8,43% maior em janeiro deste ano, comparado ao mesmo período do ano passado, na  Região Nordeste. Os dados foram obtidos por meio da  pesquisa realizada pelo  Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL).  

Segundo o estudo, divulgado ontem pelas duas organizações, não foram apenas as dívidas que dependem da concessão de crédito que tiveram crescimentos expressivos. A inadimplência com  contas básicas, como água e luz, também registrou crescimento em relação ao ano passado. “Isso nos demonstra  o quanto o problema é geral. As pessoas estão tendo dificuldades para pagar até as despesas fixas, como água e luz, e acabam correndo  riscos de cortes no fornecimento”, aponta a  e  economista-chefe do SPC Brasil, Marcela Kawauti.

Aumento de preçosAinda na Região Nordeste, as dívidas no segmento Comunicação foram as que mais registraram aumento  –  12,39% em relação a janeiro de 2015. “Acreditamos que o aumento da inadimplência neste setor está relacionada aos planos de internet, telefone e TV a cabo que tem desconto até um certo tempo e posteriormente aumentam para um valor que o consumidor não pode mais pagar”, fala Marcela Kawauti.

Na região, os bancos são os credores que concentram a maior parte das dívidas em atraso, 41,93% do total de pendências. A segunda maior participação é do setor de Comércio (21,48%). Entre as quatro regiões pesquisadas, o Nordeste foi onde o crescimento no número de inadimplentes foi maior, registrando uma variação de 6,86% em relação ao ano passado. Os dados da  Região Sudeste não foram considerados no levantamento feito pelo SPC Brasil.

Para Marcela, os números não mostram que o brasileiro está se endividando mais, mas sim que tem encontrado mais dificuldade para honrar seus pagamentos. “Por conta da piora da economia, houve a diminuição da oferta de crédito. No geral, as pessoas estão contraindo menos empréstimos, mas  não estão conseguindo quitar as dívidas já realizadas”, avalia a economista, que acredita que a inadimplência deve continuar crescendo nos próximos meses, principalmente por conta do aumento do desemprego.contas básicas

O CORREIO questionou  a Embasa e a Coelba sobre o índice de inadimplência dos baianos nas contas de água e luz, respectivamente.  

Em nota, a Embasa informou que nos 366 municípios baianos onde atua foi registrada, no último mês de janeiro, uma inadimplência  de 9,93% das contas faturadas. Isso significa que, das quase três milhões de contas emitidas em setembro de 2015, 301.645 não foram pagas, em um prazo de 120 dias após o vencimento.Apesar do alto número, o percentual foi um pouco menor do que o registrado em janeiro do ano passado, quando o índice de inadimplência foi de 10,22% das contas.

A empresa informou, ainda, que no dia 31 de janeiro encerrou uma campanha de negociação com condições especiais, que durou três meses. Nesse período, 23.155 clientes fecharam acordo, alcançando o montante de R$ 24,7 milhões em débitos negociados.

Mesmo após o encerramento da campanha, a Embasa continua oferecendo alternativas para acordos de quitação de dívidas. Para negociar, o cliente deve se dirigir a um dos pontos de atendimento da empresa para conhecer as opções disponíveis.

Já a Coelba disse que não divulga os dados referentes aos débitos dos clientes.

A distribuidora de energia informou que combate a inadimplência, e que o atraso na quitação das faturas acarreta ações de cobrança, a exemplo de multa e juros, negativação de crédito e suspensão do fornecimento. As estratégias de cobranças aplicadas, no caso de inadimplência, são pautadas na legislação vigente.

A Coelba também informou que oferece aos seus clientes opções de negociação para regularização de débitos. Para isso, o consumidor deve se dirigir a uma das agências de atendimento.

Para adequar a fatura à sua capacidade de pagamento, a Coelba orienta que os clientes adotem o uso eficiente da energia elétrica.  No site da empresa, o consumidor pode acessar o Manual do Consumo Consciente com dicas para reduzir a conta de luz.

Educação financeira é saída para inadimplência, diz especialistaPara banir a cor vermelha das finanças pessoais é preciso apostar  na educação financeira.  “O conhecimento financeiro contribui com o desenvolvimento de competências e habilidades que ajudam as famílias a utilizar o dinheiro com mais sabedoria”, explica Alexandre Carvalho, gerente geral da CCFácil, empresa distribuidora de consultas do Serasa. 

Segundo ele, o consumidor deve fazer um diagnóstico financeiro, pontuando tudo o que recebe e gasta, para saber qual o destino do dinheiro da família. Para economizar, a pesquisa é  fundamental. “Antes de realizar qualquer compra, o cliente deve fazer um levantamento de preços, e tentar cortar o máximo de gastos possíveis”. A redução deve ser buscada também nas contas de consumo, como água, luz e telefone.

Por conta da instabilidade no cenário econômico, o especialista recomenda adiar a compra de itens mais caros, como veículos e imóveis, que comprometem a renda a longo prazo e necessitam de financiamento. “O consumidor deve evitar também artigos de luxo e supérfluos. Esses itens  devem ser reduzidos e, se possível, cortados”.  

Na hora de pagar as dívidas, Carvalho aponta que o cartão de crédito  deve ser priorizado. “Ele é o maior vilão do orçamento familiar. Por conta da sua alta taxa de juros, o cliente deve se esforçar para  pagar o valor total da fatura, evitando as taxas extras”. O parcelamento da cobrança, oferecido por muitas financeiras, não deve ser uma alternativa. “Os juros dessa negociação  são caros e não condizem com a realidade de ninguém”, completa. Segundo ele, depois do cartão, o cheque especial e os  empréstimos pessoais são as dívidas que devem ser priorizadas.