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O Leão agora é tech: saiba como a IA da Receita rastreia seu dinheiro no exterior

Tecnologia monitora de aluguéis a investimentos internacionais quase em tempo real; veja as dicas de um especialista para regularizar sua situação e fugir da bitributação

  • Foto do(a) author(a) Amanda Cristina de Souza
  • Amanda Cristina de Souza

Publicado em 27 de fevereiro de 2026 às 14:09

DÓLAR OU REAL? Conversão de moedas e a obrigação de transparência com o Leão exigem atenção do investidor que deseja manter seu CPF regular e longe da malha fina
DÓLAR OU REAL? Conversão de moedas e a obrigação de transparência com o Leão exigem atenção do investidor que deseja manter seu CPF regular e longe da malha fina Crédito: Larson Accounting Group

Se você tem conta em banco no exterior, comprou um imóvel em Portugal ou está morando fora e ainda não avisou ao fisco, abra o olho: o "Leão" nunca foi tão tecnológico. Em 2026, a Receita Federal subiu o tom com o uso de inteligência artificial para cruzar informações bancárias globais, e o resultado aparece direto na sua declaração pré-preenchida.

Para quem investe ou vive fora, a regra do jogo mudou. Não se trata apenas de "esconder" dinheiro, mas de entender que a Receita já sabe o que você tem. A solução? Transparência e o uso estratégico da Declaração de Saída Definitiva do País (DSDP).

O fim do segredo lá fora: IA da Receita monitora aplicações internacionais quase em tempo real e exige transparência do investidor brasileiro por Mycapital

Mas como, na prática, essa fiscalização acontece?

Como a IA da Receita Federal monitora contas e bens no exterior em 2026

Esquecer de declarar aquela conta em dólar ficou quase impossível. O intercâmbio automático de informações entre países agora alimenta diretamente os sistemas de inteligência do governo brasileiro.

De acordo com o advogado especializado em Direito Tributário Internacional, Leonardo Lacerda, consultado pelo Correio, a tecnologia mudou o patamar da fiscalização:

"Hoje, a Receita já conta com um projeto de inteligência artificial que cruza dados e passa a olhar com mais atenção para brasileiros que movimentam contas no exterior, especialmente em países que compartilham essas informações"

Leonardo Lacerda

Advogado Especialista em Direito Tributário Internacional

Segundo o especialista, na prática isso quer dizer que a declaração pré-preenchida já pode trazer as contas mantidas no exterior e até os valores depositados nelas. Ou seja, deixou de ser uma informação “invisível” ao fisco, com os dados já integrados e disponíveis diretamente no sistema.

Diante desse cenário, manter o vínculo fiscal no Brasil sem necessidade pode se tornar um risco caro.

O que é DSDP e por que fazer a Declaração de Saída Definitiva do País

Muitos brasileiros saem do país, mas continuam com o endereço fiscal no Brasil. Isso é um erro perigoso que pode levar à bitributação — pagar imposto lá e aqui. A DSDP funciona como um aviso de "estou mudando de casa" para o fisco.

“A Declaração de Saída Definitiva do País (DSDP) também é uma declaração de Imposto de Renda, mas funciona como a última que o contribuinte apresenta no Brasil. É por meio dela que se formaliza a mudança do endereço fiscal perante a Receita Federal”, explica o especialista.

Leonardo Lacerda

Advogado Especialista em Direito Tributário Internacional

Segundo ele, a medida é essencial para proteger o patrimônio:

“Se você pretende ter algum tipo de renda no exterior, em 99% dos casos é recomendável fazer a DSDP. Sem essa formalização, quando retornar ao Brasil, o patrimônio acumulado lá fora tem grandes chances de cair na malha fina e você pode acabar tendo que se explicar ao Fisco e até pagar imposto sobre esses valores”

Leonardo Lacerda

Advogado Especialista em Direito Tributário Internacional

Além da formalização da saída, outra dúvida frequente envolve a tributação dos rendimentos no exterior.

Aluguel em dólar ou euro? Veja como a reciprocidade fiscal salva o seu bolso

Para quem comprou imóveis pensando na renda dos aluguéis, o Brasil possui acordos para evitar que o investidor seja tributado duas vezes. Países como Portugal, Espanha e França têm acordos de abatimento, enquanto outros, como EUA, Alemanha e Reino Unido, operam por reciprocidade fiscal.

O advogado dá um exemplo prático:

“Uma pessoa que tem um aluguel no Brasil paga 15% de imposto sobre esse rendimento. Se ela também precisa declarar, por exemplo, em Portugal, onde a alíquota é de 20%, não haverá cobrança dupla integral. Ou seja, é possível compensar os 15% pagos no Brasil e recolher apenas os 5% restantes”

Leonardo Lacerda

Advogado Especialista em Direito Tributário Internacional

Ele alerta, porém, que isso não isenta a declaração: se não fizer, haverá multa e juros.

Quando os investimentos crescem, no entanto, a discussão deixa de ser apenas sobre onde pagar e passa a envolver como estruturar esse patrimônio.

CPF ou CNPJ? quando vale a pena abrir uma offshore ou holding para investir no exterior

Quando o patrimônio cresce, surge a dúvida: continuar investindo como CPF ou abrir uma empresa (holding ou offshore)? A resposta, segundo o advogado, depende da complexidade do que você tem na carteira:

“Em geral, quando falamos de uma carteira mais simples, com renda fixa, renda variável e investimentos em bancos, não necessariamente é preciso abrir uma offshore. Agora, se a pessoa tem muitos imóveis e pretende optar pelo lucro presumido, que costuma ter uma alíquota menor, dependendo do valor recebido em aluguéis, pode fazer sentido estruturar isso por meio de uma holding imobiliária”

Leonardo Lacerda

Advogado Especialista em Direito Tributário Internacional

Independentemente da estrutura escolhida, há um ponto que costuma gerar confusão entre investidores, a repratriação. 

O mito da repatriação: por que o Leão cobra imposto antes mesmo do dinheiro chegar ao Brasil

Um erro comum de muitos investidores é achar que só precisa pagar imposto quando traz o dinheiro de volta para o Brasil , a repatriação. O especialista desmente esse mito:

“O senso comum acredita que o imposto só é devido quando o dinheiro é enviado ao país, o que não é verdade. A renda gerada, mesmo no exterior, já pode ser tributada universalmente”

Leonardo Lacerda

Advogado Especialista em Direito Tributário Internacional

Se você mora no Brasil e sua empresa lá fora distribui dividendos, o Leão vai cobrar até 15% sobre esse valor, independentemente de você gastar o dinheiro em Miami ou em Salvador.

E, se voltou ao Brasil há pouco tempo e nunca regularizou o período em que morou fora, ainda dá tempo de ajustar a situação. Segundo Lacerda, é possível apresentar a declaração de saída e a de retorno com efeitos retroativos, uma medida que pode proteger seu bolso de cobranças referentes aos anos anteriores.

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Leilão da Receita Federal em Salvador Receita Federal