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Juliana Rodrigues
Publicado em 17 de março de 2026 às 05:08
Em uma manobra que pegou o mercado internacional de surpresa, o governo de Donald Trump concedeu, nesta semana, uma licença temporária que libera a movimentação de milhões de barris de petróleo russo anteriormente retidos. A medida entra em conflito direto com a retórica de campanha do republicano, que prometia asfixiar financeiramente o Kremlin para encerrar a guerra na Ucrânia. Na prática, a decisão garante alívio imediato na oferta global de óleo, mas injeta bilhões de dólares na economia russa em meio à ofensiva no Leste Europeu. >
Trump e Putin
As restrições ao setor energético de Moscou, erguidas em 2022, enfrentam agora seu maior teste. O gatilho para a mudança de postura não veio da Europa, mas do Oriente Médio. A instabilidade na região e o risco de fechamento do Estreito de Ormuz catapultaram o barril do tipo brent para além dos US$ 100. Pressionado pela inflação que castiga os postos americanos, Trump optou pelo pragmatismo e liberou cargas russas paradas, oxigenando o caixa de guerra de Vladimir Putin em troca de estabilidade nos preços. >
O movimento unilateral abriu uma fenda na coesão da aliança militar e gerou indignação. O presidente francês, Emmanuel Macron, sublinhou que a conjuntura não justifica qualquer recuo nas sanções. Na Alemanha, o chanceler Friedrich Merz foi enfático ao classificar a medida como um erro estratégico: “Acreditamos que é errado aliviar as sanções”, afirmou, destacando a falta de vontade russa em negociar a paz. >
Enquanto o Kremlin celebra o "fôlego financeiro", o governo da Ucrânia subiu o tom. Para Kiev, o afrouxamento tem impacto direto no front, já que a munição russa é comprada com petrodólares. O temor é que a busca por uma "paz rápida" prometida por Trump devolva a Moscou o poder de barganha que o isolamento econômico havia retirado. >