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Após fala sobre Preta Gil em missa, padre investigado por racismo religioso fecha acordo com o MPF

Sacerdote aceitou medidas de reparação e retratação pública para encerrar apuração criminal conduzida pelo Ministério Público Federal

  • Foto do(a) author(a) Heider Sacramento
  • Heider Sacramento

Publicado em 6 de fevereiro de 2026 às 19:40

Padre investigado por racismo religioso fecha acordo com MPF após fala sobre Preta Gil
Padre investigado por racismo religioso fecha acordo com MPF após fala sobre Preta Gil Crédito: Reprodução

O padre Danilo César de Sousa Bezerra firmou um acordo com o Ministério Público Federal para encerrar a investigação por racismo religioso relacionada a declarações feitas durante uma missa transmitida pela internet, no município de Areial, no Agreste da Paraíba. O entendimento evita que o caso avance para uma ação penal e foi homologado pela Justiça Federal.

A apuração teve como base falas ditas em julho de 2025, durante uma homilia celebrada na Paróquia de São José. Na ocasião, o sacerdote mencionou a morte da cantora Preta Gil e fez associações consideradas discriminatórias envolvendo religiões de matriz africana. O conteúdo ganhou ampla repercussão nas redes sociais e o vídeo acabou retirado do ar.

Segundo o MPF, as declarações se enquadram na legislação que trata da indução ou incitação à discriminação religiosa, especialmente quando realizadas em contexto de atividade religiosa com acesso ao público. Durante a tramitação do procedimento, o padre confessou formalmente os fatos em audiência extrajudicial, acompanhado por advogado.

Padre Danilo César de Sousa Bezerra, de 31 anos, é investigado por intolerância religiosa contra Preta Gil por Reprodução

Como parte do acordo de não persecução penal, o sacerdote assumiu uma série de compromissos. Entre eles estão o pagamento de um valor equivalente a três salários mínimos, destinado a comunidades quilombolas em situação de vulnerabilidade, além da participação em um ato ecumênico com representantes de religiões afro indígenas como forma de retratação pública. O acordo também prevê a possibilidade de divulgação desse ato em canais de alcance semelhante ao da transmissão original.

Outro ponto previsto é o compromisso de não se opor a uma eventual transferência paroquial, condicionada à decisão da autoridade eclesiástica, além da obrigação de não voltar a proferir discursos de cunho discriminatório ou que incentivem o ódio religioso. O descumprimento de qualquer cláusula pode resultar na retomada do processo criminal.

Durante a investigação, lideranças de religiões de matriz africana relataram ao MPF impactos diretos causados pela repercussão do caso, como redução de frequentadores em terreiros, prejuízos a projetos sociais e episódios de hostilidade. Caso todas as exigências sejam cumpridas, o Ministério Público deve solicitar à Justiça o reconhecimento da extinção da punibilidade do padre.

Tags:

Preta gil