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Agência Correio
Gabriela Barbosa
Publicado em 18 de março de 2026 às 17:00
O espaço ao redor da Terra nunca esteve tão cheio. Com recordes de lançamentos de satélites em 2025 e 2026, cientistas alertam para um cenário preocupante: uma colisão em cadeia entre equipamentos em órbita capaz de afetar serviços essenciais, como GPS, internet e previsão do tempo. >
Hoje, milhares de satélites orbitam o planeta, enquanto restos de foguetes e equipamentos antigos continuam girando ao redor da Terra. Esse congestionamento orbital aumenta a probabilidade de impactos que podem transformar o espaço próximo em uma zona perigosa.>
A ideia parece roteiro de ficção científica, mas especialistas já estudam esse fenômeno há décadas. Se um satélite atingir outro em alta velocidade, os fragmentos gerados podem colidir com novos objetos e criar uma cascata de detritos difíceis de controlar.>
O que é lixo espacial e por que ele pode se tornar o “anel de Saturno” da Terra
Grande parte dos satélites que usamos no dia a dia opera na chamada órbita terrestre baixa, uma faixa localizada até cerca de 2 mil quilômetros de altitude. É justamente nessa região que o tráfego espacial cresce mais rápido e preocupa pesquisadores.>
Além dos equipamentos ativos, essa região abriga milhares de detritos. Segundo estimativas da Agência Espacial Europeia (ESA), mais de 35 mil objetos maiores que 10 centímetros já são monitorados em órbita, enquanto milhões de fragmentos menores também circulam ali.>
O problema é que tudo se move a velocidades extremas. Detritos espaciais podem atingir até 56 mil quilômetros por hora, velocidade suficiente para destruir completamente um satélite, mesmo em colisões com peças pequenas.>
Diante do risco crescente, cientistas e empresas espaciais começaram a buscar alternativas para reduzir a quantidade de lixo orbital. Uma delas é o desenvolvimento de satélites projetados para se desintegrar completamente ao reentrar na atmosfera.>
Entre as propostas mais curiosas estão satélites feitos parcialmente de madeira ou materiais biodegradáveis. A ideia é que, ao final da missão, esses equipamentos se queimem totalmente na atmosfera e não deixem resíduos em órbita.>
Além disso, agências espaciais investem em sistemas de monitoramento capazes de rastrear fragmentos e prever possíveis colisões. Mapas detalhados da órbita ajudam a planejar lançamentos e manobras para evitar acidentes.>
Embora o problema esteja a centenas de quilômetros da Terra, os impactos podem chegar rapidamente ao cotidiano. Satélites são responsáveis por serviços como navegação por GPS, comunicação global, monitoramento climático e até transações financeiras.>
Se colisões começarem a ocorrer em sequência, novas missões espaciais podem se tornar mais caras e complexas. Satélites precisarão de mais combustível para realizar manobras de desvio e evitar detritos, aumentando os custos operacionais.>
No cenário mais extremo, especialistas alertam que regiões inteiras da órbita poderiam se tornar perigosas ou até inutilizáveis por décadas. Isso comprometeria não apenas novas missões espaciais, mas também a infraestrutura tecnológica da qual o planeta depende hoje.>