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Erika Hilton se manifesta após fala transfóbica de Ratinho: 'Este apresentador é, e sempre será, um rato'

Deputada falou sobre o processo que move contra Ratinho após falas em programa do SBT

  • Foto do(a) author(a) Giuliana Mancini
  • Giuliana Mancini

Publicado em 12 de março de 2026 às 12:43

Erika Hilton
Erika Hilton Crédito: Agência Senado/Andressa Anholete

Erika Hilton se manifestou publicamente sobre a fala transfóbica contra ela feita por Ratinho na noite da última quarta-feira (11), em seu programa no SBT. Em uma publicação nas redes sociais, a deputada federal confirmou que está processando o apresentador, e afirmou que ele cometeu um ataque e uma violência contra ela e várias outras mulheres.

"Sim, estou processando o apresentador Ratinho. Sei que, pela audiência irrisória de seu programa, que até onde sei não agrada nem suas chefes no SBT, lhe resta apelar à violência. Porque o que o apresentador cometeu foi uma violência, um ataque, e não foi só contra mim", iniciou.

Ratinho faz comentário transfóbico contra Erika Hilton ao vivo no SBT por Reprodução/Redes Sociais

Durante o Programa do Ratinho, no SBT, o apresentador abriu espaço em sua atração para criticar duramente a nomeação da deputada federal (PSOL-SP) como presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher na Câmara. Ele afirmou não achar 'justo' que uma mulher trans assumisse o cargo. "Mulher para ser mulher precisa ter útero, tem que menstruar", disparou. Também chegou a questionar se Erika seria "deputada ou deputado".

Nas redes sociais, Erika criticou as falas feitas pelo apresentador. "Ratinho interrompeu seu programa pra dizer que mulheres trans não são mulheres, que mulheres que não menstruam não são mulheres, que mulheres que não têm útero não são mulheres e que mulheres que não têm filhos não são mulheres", escreveu a deputada nas redes sociais.

"Este ataque de Ratinho foi contra todas as mulheres trans e contra todas as mulheres cis que não menstruam mais ou nunca menstruaram. Foi contra todas as mulheres cis que nunca tiveram útero ou, por condições de saúde, como o câncer, precisaram removê-lo. Foi contra todas as mulheres que não podem ou não querem ter filhos. Foi contra as mulheres que perderam seus filhos ainda na gestação", continuou.

A reação da plateia após comentário de Ratinho sobre Erika Hilton por Reprodução/TV Globo

A deputada protocolou, nesta quinta-feira (12), no Ministério Público de São Paulo (MP-SP), um pedido de investigação contra Ratinho. Ela solicitou a abertura de inquérito policial e a prisão de Ratinho, o qual, se condenado, pode pegar até 6 anos de prisão.

"Aqui fora, no mundo real, ele e o SBT pagarão pelos seus atos, na esfera cível e criminal. E eles não pagarão a mim, mas a todas as mulheres vítimas de violência, trans e cis. Por fim, vale lembrar: eu sou e sempre serei uma mulher. Este apresentador é, e sempre será, um rato", escreveu.

Leia o comunicado completo divulgado por Erika Hilton:

Sim, estou processando o apresentador Ratinho.

Sei que, pela audiência irrisória de seu programa, que até onde sei não agrada nem suas chefes no SBT, lhe resta apelar à violência.

Porque o que o apresentador cometeu foi uma violência, um ataque, e não foi só contra mim.

Ratinho interrompeu seu programa pra dizer que mulheres trans não são mulheres, que mulheres que não menstruam não são mulheres, que mulheres que não têm útero não são mulheres e que mulheres que não têm filhos não são mulheres.

Este ataque de Ratinho foi contra todas as mulheres trans e contra todas as mulheres cis que não menstruam mais ou nunca menstruaram.

Foi contra todas as mulheres cis que nunca tiveram útero ou, por condições de saúde, como o câncer, precisaram removê-lo.

Foi contra todas as mulheres que não podem ou não querem ter filhos.

Foi contra as mulheres que perderam seus filhos ainda na gestação.

O discurso de Ratinho foi, sim, para me atacar e atacar as pessoas trans. Mas demonstrou a misoginia, o ódio primal que essa figura nojenta tem de toda e qualquer mulher que não siga o roteiro que ele considera certo.

E, para ele, mulheres são máquinas de reprodução.

Eu quase me surpreendi ao assistir a um raciocínio tão retrógrado.

Mas aí lembrei das notícias reportando que, em 2016, 128 anos depois da abolição da escravatura, Ratinho submetia pessoas à escravidão em suas fazendas no Paraná.

E o apresentador pode até querer viver nesse passado, dentro de sua cabeça. Se a preocupação com as denúncias que farei contra um escândalo envolvendo o seu filho e o crime de estupro de vulnerável mais tarde não ocupar toda a sua capacidade cerebral, é claro.

Mas aqui fora, no mundo real, ele e o SBT pagarão pelos seus atos, na esfera cível e criminal. E eles não pagarão a mim, mas a todas as mulheres vítimas de violência, trans e cis.

Por fim, vale lembrar: eu sou e sempre serei uma mulher. Este apresentador é, e sempre será, um rato.

Tags:

Ratinho Transfobia Erika Hilton