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Agência Correio
Publicado em 23 de abril de 2026 às 15:08
A inteligência artificial já começa a impactar o mercado de trabalho no Brasil, especialmente entre os mais jovens. Um estudo do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre) aponta que pessoas de 18 a 29 anos têm hoje quase 5% menos chances de conseguir emprego em áreas mais afetadas pela tecnologia. >
Segundo a pesquisa, os setores mais expostos são os de informação, comunicação e serviços financeiros, onde tarefas operacionais e de apoio, geralmente ocupadas por profissionais em início de carreira, vêm sendo substituídas por sistemas automatizados.>
Inteligência Artificial vai substituir seu emprego?
O levantamento mostra que atividades como organização de dados, produção de relatórios e elaboração de conteúdos básicos estão entre as mais vulneráveis. Essas funções, embora exijam qualificação, são mais repetitivas e, por isso, mais facilmente executadas por ferramentas de IA. >
Enquanto isso, profissionais mais experientes, nas faixas de 30 a 59 anos, ainda não sentem impacto significativo. Isso porque ocupam cargos que envolvem análise, tomada de decisão e maior responsabilidade, funções que seguem menos suscetíveis à substituição.>
O avanço da IA ganhou força a partir do fim de 2022, com a popularização de ferramentas generativas, e se intensificou em 2024 e 2025 com o surgimento de novos sistemas. A adoção acelerada da tecnologia tem provocado mudanças rápidas no mercado de trabalho, em ritmo superior ao observado com a chegada da internet ou dos computadores. >
Em países desenvolvidos, os efeitos já são mais evidentes. Nos Estados Unidos, por exemplo, a contratação de jovens desenvolvedores chegou a cair até 20%, enquanto, na Europa, empresas passaram a substituir estagiários por soluções de inteligência artificial em tarefas básicas.>
Especialistas alertam que o impacto pode ir além do emprego imediato. A redução de oportunidades para iniciantes pode comprometer a formação de profissionais no longo prazo, já que essas primeiras experiências são fundamentais para o desenvolvimento de habilidades e progressão na carreira.>
O estudo também aponta que a baixa qualificação da mão de obra brasileira agrava o cenário. Para que trabalhadores consigam atuar de forma complementar à IA, é necessário domínio tecnológico, algo ainda limitado no país. >
A tendência, segundo pesquisadores, é de aprofundamento desse movimento, o que coloca em debate a necessidade de ampliar o acesso à tecnologia e preparar melhor os profissionais para um mercado cada vez mais automatizado.>