Cadastre-se e receba grátis as principais notícias do Correio.
Agência Correio
Publicado em 14 de fevereiro de 2026 às 12:41
A força das pernas pode revelar mais sobre a saúde do cérebro do que muitos imaginam. Estudos recentes sugerem que a perda de força em membros inferiores está associada a um risco maior de demência, reacendendo o debate sobre prevenção e qualidade de vida. >
Segundo a fisioterapeuta especialista em neuroreabilitação Rachel Guimarães, a força muscular funciona como um indicador importante do nível de atividade física e pode ajudar a entender como o cérebro envelhece.>
Pernas finas
A explicação passa longe de soluções milagrosas. O segredo está em algo simples, mas muitas vezes negligenciado: o movimento diário e a regularidade dos exercícios ao longo da vida.>
Um estudo publicado na revista científica Gerontology aponta que a força dos membros inferiores pode indicar se uma pessoa pratica exercícios suficientes para manter a mente saudável.>
Rachel Guimarães explica em seu blog que a força muscular reflete muito mais do que capacidade física. Ela também sinaliza hábitos de vida, como a frequência de atividades, o nível de independência e até a disposição para sair de casa e manter contato social.>
Pessoas mais ativas tendem a circular mais, conviver com outras pessoas e estimular o cérebro de diferentes formas. Já a perda progressiva de força pode indicar sedentarismo, um fator que pesa negativamente para a saúde cognitiva ao longo do tempo.>
Quando o corpo se movimenta, o cérebro também entra em ação. Segundo a fisioterapeuta, o exercício físico libera substâncias químicas capazes de estimular o funcionamento cerebral, desde que a prática seja regular.>
Além disso, a atividade física aumenta de forma significativa o fluxo sanguíneo cerebral. Esse processo facilita a chegada de oxigênio e nutrientes a áreas diretamente ligadas às funções cognitivas, como memória, atenção e aprendizado.>
Estudos mostram que níveis mais baixos de fluxo sanguíneo cerebral e maior rigidez dos vasos estão associados ao déficit cognitivo leve e à demência. Por isso, manter o corpo ativo ajuda a preservar não só os músculos, mas também a saúde dos vasos e do cérebro.>
A prática regular de exercícios físicos pode reduzir em até 35% o risco de desenvolvimento de demências, inclusive em pessoas com histórico genético. Como ainda não há cura, a prevenção se torna essencial, e quanto mais cedo ela começa, maiores são os benefícios.>
Atividades aeróbicas moderadas, realizadas em torno de 70% da frequência cardíaca máxima, ajudam o corpo a levar oxigênio às células do cérebro. Isso contribui para nutrir os tecidos cerebrais e regular o fluxo sanguíneo.>
Segundo a OMS, a atividade física melhora a saúde cognitiva, o sono e a saúde mental, além de reduzir o risco de quedas e doenças crônicas em idosos. >
No fim, a mensagem é clara: qualquer exercício é melhor do que nenhum, e se movimentar pode ser uma das formas mais eficazes de cuidar do cérebro ao longo da vida.>