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Estudo elimina câncer de pâncreas em ratos, mas eficácia em humanos ainda é incerta; saiba

Descoberta inédita gera esperança e reforça limites entre laboratório e clínica

  • Foto do(a) author(a) Agência Correio
  • Agência Correio

Publicado em 4 de fevereiro de 2026 às 13:07

Resultados impressionam, mas ainda estão longe da aplicação em humanos
Resultados impressionam, mas ainda estão longe da aplicação em humanos Crédito: Freepik

Um experimento recente provocou repercussão global ao demonstrar a eliminação total do câncer de pâncreas em ratos. O feito reacende esperanças, mas também reforça a necessidade de prudência científica.

A pesquisa foi liderada pelo espanhol Mariano Barbacid e analisada pelo virologista Roberto Burioni, que destaca por que o avanço, embora relevante, ainda não pode ser transferido para humanos, em entrevista ao jornal italiano L'unione Sarda.

Os testes mostraram que camundongos com melanoma, um tipo agressivo de câncer de pele, tiveram menos metástases após receberem o medicamento por Shutterstock

Na oncologia, resultados promissores costumam gerar expectativa imediata. No entanto, especialistas lembram que cada etapa até a aplicação clínica exige testes rigorosos e avaliações de risco.

Quando o laboratório entrega o inesperado

Eliminar completamente um tumor conhecido por sua resistência é algo raro na ciência. No caso do câncer pancreático, os resultados obtidos em ratos representam um marco experimental significativo.

O trabalho foi desenvolvido por uma equipe internacional no Centro Nacional de Investigaciones Oncológicas, em Madri, sob coordenação de Barbacid, um dos nomes mais respeitados da pesquisa oncológica europeia.

Mesmo assim, a empolgação inicial logo deu lugar a questionamentos. A principal preocupação é entender se o mesmo mecanismo pode funcionar com segurança em organismos humanos.

A combinação que fez o tumor desaparecer

A chave do sucesso foi atacar diferentes frentes do câncer ao mesmo tempo. A estratégia bloqueou três vias essenciais para o crescimento e a adaptação das células tumorais.

KRAS, EGFR e STAT3 foram os principais alvos. Juntas, essas vias permitem que o tumor sobreviva mesmo diante de terapias tradicionais.

Ao interromper esses caminhos, os pesquisadores observaram a morte das células cancerígenas e o desaparecimento completo da doença nos ratos, sem sinais de resistência.

Por que a terapia ainda não saiu do papel

Segundo Burioni, a dosagem dos medicamentos é um ponto crítico. "In vivo, um dos medicamentos, o daraxonrasib, é utilizado na dose de 20 mg/kg por dia, e os próprios autores enfatizam que esta dose é aproximadamente cinco vezes maior que a utilizada nos ensaios clínicos", explicou ao portal italiano.

Outro fármaco, o afatinib, também foi usado em concentrações muito acima das recomendadas para humanos, o que pode causar efeitos tóxicos severos.

Além disso, um terceiro medicamento segue em fase experimental. Há ainda o risco de suprimir totalmente o STAT3, proteína fundamental para processos vitais no corpo humano.

Ciência avança, mas sem promessas fáceis

"Este estudo não promete uma cura para o câncer de pâncreas", esclarece Burioni. Ainda assim, ele reconhece o valor do trabalho como guia para pesquisas futuras.

O próximo passo envolve adaptar a estratégia para doses seguras e moléculas compatíveis com o uso clínico, mantendo a eficácia sem comprometer a saúde do paciente.

"Até mesmo o HIV era capaz de prejudicar o paciente enquanto atingíssemos apenas um alvo", conclui Burioni. "Quando atingimos três 'máquinas' diferentes simultaneamente, vencemos."