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Agência Correio
Publicado em 1 de fevereiro de 2026 às 07:00
Um forte terremoto ocorrido no ano de 1303 pode ser a chave para desvendar a idade real de Gizé. >
O engenheiro italiano Alberto Donini utilizou marcas de desgaste nessas pedras para propor uma cronologia surpreendente. Segundo o novo estudo, publicado recentemente no repositório científico Zenodo, a pirâmide de Quéops pode ter mais de 20 mil anos.>
Muito além das pirâmide - turismo no Egito
A técnica batizada de REM analisa como o clima corrói as rochas ao longo das décadas. >
Donini observou que o calcário da base sofreu erosão de formas diferentes após a perda do revestimento. Portanto, essa diferença de tempo serve como um relógio geológico natural e preciso.>
O pesquisador comparou áreas que ficaram ao ar livre desde o início com as que se expuseram recentemente. >
Assim, ele conseguiu estabelecer um parâmetro de comparação sobre o ritmo do desgaste. Esse cálculo utiliza a física e a estatística para estimar o passado remoto.>
O desgaste no calcário não ocorre de maneira única, apresentando variações conforme o elemento causador. >
O estudo destaca os pites, que são buracos minúsculos formados por umidade e sais minerais. Essas marcas indicam um longo processo de interação química entre a pedra e o ambiente.>
Por outro lado, a erosão uniforme retira camadas da rocha de maneira mais homogênea. >
O vento carregado de areia é o principal responsável por polir o monumento dessa forma. Ao medir essa perda de espessura, o engenheiro consegue calcular quanto tempo a pedra sofreu exposição.>
O pesquisador selecionou doze áreas distintas na parte inferior da estrutura para realizar suas medições. >
Cada ponto revelou dados específicos sobre o desgaste acumulado, levando em conta a posição de cada bloco. Logo após, Donini consolidou essas informações em uma análise estatística abrangente.>
Os dados sugerem que a construção aconteceu entre 8.954 a.C. e 36.878 a.C. >
Essa estimativa coloca o monumento em uma era muito anterior ao reinado tradicional de Khufu. Dessa forma, a média calculada de 22.900 a.C. quebra os paradigmas da arqueologia convencional.>
Embora a técnica seja inovadora, o autor admite que existem limitações significativas no processo. >
Ele explica que fatores modernos, como a chuva ácida, podem ter acelerado a erosão nos últimos anos. Além disso, o contato humano constante também impacta a integridade das pedras originais.>
Outra questão relevante é a variação climática ocorrida no Egito durante os últimos milênios. >
Períodos mais úmidos ou secos alteram a velocidade com que o calcário se desgasta. Consequentemente, o estudo deve ser visto como um indicativo de grandeza e não um veredito final.>
A conclusão do estudo levanta uma possibilidade que pode mudar os livros de história. >
Donini propõe que a pirâmide já estava lá quando o Egito dinástico surgiu no deserto. Assim, Khufu teria apenas restaurado o monumento antigo e tomado para si a autoria da obra.>
O engenheiro italiano pretende agora levar sua pesquisa para outros pontos do planalto de Gizé. Ele acredita que ampliar a base de dados trará mais segurança para o método REM. O objetivo final é confirmar se o desgaste das rochas segue o mesmo padrão histórico.>