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Agência Correio
Publicado em 24 de fevereiro de 2026 às 22:00
A imagem de um macaquinho abraçado a um urso de pelúcia após ser abandonado pela mãe comoveu os usuários de redes sociais e chamou atenção para a proximidade evolutiva entre humanos e outros primatas. Essa similaridade sempre levantou uma pergunta incômoda: até onde vai a mente deles? Nas últimas décadas, a resposta tem sido cada vez mais surpreendente. >
Grande parte dessa virada começou com o trabalho da primatóloga britânica Jane Goodall, que revolucionou a forma como enxergamos os chimpanzés. Em suas pesquisas no Parque Nacional de Gombe, ela registrou comportamentos que, até então, eram considerados exclusivamente humanos.>
Macaco órfão comove ao adotar bichinho de pelúcia em zoo
Chimpanzés utilizavam gravetos para retirar cupins de seus ninhos, pedras para quebrar nozes, folhas para absorver água e até objetos para brincar. O uso sistemático de ferramentas revelou uma capacidade sofisticada de resolver problemas.>
Mas não foi só isso. Goodall também observou sinais claros de emoções complexas. Em um dos casos mais marcantes, um jovem chimpanzé entrou em declínio após a morte da mãe, comportamento interpretado como um quadro semelhante à depressão. >
Em cativeiro, ela notou expressões abatidas e mudanças comportamentais que reforçaram a ideia de que esses animais vivenciam estados emocionais profundos.>
Agora, pesquisadores da Johns Hopkins University trouxeram um novo elemento para esse debate: a capacidade de simular mentalmente situações que não estão acontecendo.>
O experimento envolveu um bonobo chamado Kanzi, conhecido por sua habilidade de comunicação simbólica. >
Em testes que imitavam encontros sociais, os cientistas encenaram o ato de servir bebidas com uma jarra e copos (sem que houvesse líquido de verdade).>
Em uma das situações, o pesquisador fingiu encher dois copos com suco imaginário e depois "esvaziou" um deles. Ao ser perguntado qual copo ainda continha a bebida, Kanzi apontou corretamente para o recipiente que, dentro da lógica encenada, deveria estar cheio.>
Em outro momento, um copo tinha suco real e o outro apenas suco imaginário. Questionado sobre qual preferia, o bonobo escolheu a bebida verdadeira, mostrando que distinguia o faz de conta da realidade.>
Os resultados se repetiram em novas tentativas.>
A capacidade de imaginar cenários hipotéticos é considerada um marco importante na evolução cognitiva. >
Em humanos, ela está ligada ao planejamento, à criatividade e à empatia. Se primatas também conseguem simular mentalmente situações, isso sugere que as bases dessa habilidade podem ter surgido muito antes do que se imaginava.>
As próximas pesquisas devem investigar se esse tipo de competência é comum entre outros primatas ou se está restrita a indivíduos com treinamento específico.>
O que parece cada vez mais claro é que a distância mental entre humanos e macacos pode ser menor do que supúnhamos.>